Feitos da nacionalista Deolinda Rodrigues recordados em palestra

Se não tivesse sido assassinada, no dia 10 do corrente mês a nacionalista Deolinda Rodrigues teria completado 80 anos de idade. Entretanto, para saudar o dia do seu aniversário, a Casa da Cultura do Rangel Njinga Mbande acolheu uma palestra subordinada ao tema “Deolinda Rodrigues, retratos psicoideológicos”

POR: Adjelson Coimbra

“Se Agostinho Neto é a figura masculina mais importante, no ponto de vista feminino Deolinda Rodrigues é, efectivamente, a figura política angolana mais importante do século XX. São reflexões que eu fiz em Cuba, no ano de 2004”, afirmou o prelector no evento, António Gonçalves, antigo director-adjunto do Instituto Nacional das Indústrias Culturais (INIC). António Gonçalves, também escritor, que “fez parte” da ideia de trazer à ribalta textos de reflexão sobre Deolinda Rodrigues, esclarece que não penetrou na vida e obra da guerreira, contrapondo que se baseou no seu diário (de Deolinda Rodrigues) e foi analisando questões que têm a ver com coisas que ela ia discorrendo. Revela haver considerações feitas por Deolinda Rodrigues, no seu diário, que até agora não foram materializadas.

A exemplificar, a reforma agrária, o objectivo económico do país, o modelo de educação que se aplica e a democratização interna do país que só foi encetada na década de 1990. “Ela estava avançada em relação a muitos conceitos, e eu acredito que se ela estivesse em vida, daria numa grande dirigente para o MPLA. As figuras do nacionalismo angolano devem ser bem conhecidas e Deolinda Rodrigues é uma delas, da mesma forma que Agostinho Neto, Viriato Da Cruz, Mário Pinto de Andrade, Lúcio Lara o são”, defende. As figuras supracitadas, de acordo com o escritor, devem ser reconhecidas como aquelas que foram o farol que iluminaram o caminho para que possamos ter a Independência e também a paz.

Evento enaltecido

Dona Domingas Pegado Muginga, de 76 anos, pertencente à OMA, teve o prazer de ter Deolinda Rodrigues como professora. Com alegria, no decorrer do evento, levantou- se e entoou uma canção sobre o patriotismo “ensinada pela sua querida professora”. Quanto ao um evento que teve como finalidade recordar uma figura emblemática, confessou ser do seu agrado. “Quando ouvi que devíamos ter esta palestra fiquei muito feliz. Porque costumo dizer às minhas camaradas que sou fã da Deolinda Rodrigues”, disse. No que toca aos ensinamentos da guerreira, que, enquanto viva se dedicou à pedagogia, contou que aprendeu que se deve lutar pelo nosso país. Como mulher, para dona Domingas, Deolinda Rodrigues representa um modelo a seguir, por ser alguém que lutou pelo seu país. “A Deolinda sempre ensinou a amar a pátria, a nos entregarmos à pátria. Se ela estivesse viva, penso que, talvez, as pessoas seriam diferentes: amar-se-iam mais uns aos outros e teriam interesses de trabalho, interesses para escolas e centros infantis, a fim de trabalhar para o desenvolvimento do país”, acrescentou.

Mais livros sobre Deolinda Rodrigues

Dona Ana Vasco Fortunato, de 62 anos, também integrante da OMA, defende que se deve escrever mais livros sobre a guerreira Deolinda Rodrigues e que sejam comercializados a um preço mais baixo. Ao defender isso, vê ser importante os livros alcançarem mais mulheres. “Nós trabalhamos com as mulheres em prol da causa de Deolinda Rodrigues, então, gostaríamos que os livros chegassem até onde estão as mulheres, para elas conhecerem a vida de Deolinda. No ano passado tivemos a orientação de passar o filme de Deolinda. As mulheres gostaram bastante e convidaram jovens camaradas do partido a assistirem também”, frisou.

Quem foi Deolinda Rodrigues?

Deolinda Rodrigues Francisco de Almeida, também conhecida pelo nome de guerra em Kimbundu “Langidila” (toma cuidado) ou ainda “Mãe da Revolução” foi uma defensora dos direitos humanos, militante nacionalista e mártir da luta pela liberdade angolana. Foi ainda escritora, poetisa, tradutora e radialista. Pertenceu ao MPLA e foi cofundadora da sua secção feminina, a Organização da Mulher Angolana (OMA). Foi capturada, torturada e executada pela UPA, União dos Povos de Angola, mais tarde denominada FNLA, Frente Nacional de Libertação de Angola no contexto da luta fratricida que opunha o MPLA à UPA/ FNLA. Um documentário sobre a sua vida foi realizado em 2014. Deolinda Rodrigues nasceu em Catete a 10 de Fevereiro de 1939, filha de um casal de professores primários, sendo a terceira de cinco irmãos, entre os quais Roberto de Almeida, ex vice- presidente do MPLA. Terá sido assassinada em dia e mês desconhecidos, no ano de 1968. Segundo algumas testemunhas, teria sido esquartejada viva.

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