Director da Academia de Cinema da Nigéria motiva realizadores angolanos a empreenderem com a arte

Com o objectivo de motivar os produtores e realizadores angolanos, o director da Academia de Cinema da Nigéria, Femi Odugbemi, contou a trajectória cinematográfica do seu país e deu dicas para que Angola não fique atrás nesta corrida

POR: Adjelson Coimbra

Estas considerações foram apresentadas ontem, durante um seminário que abordou sobre os “Desafios do sector cinematográfico”, que contou com prelecção do produtor, escritor e realizador nigeriano Femi Odugbemi, cá em Luanda. Considerado um “monstro” do cinema nigeriano, o produtor está no país no âmbito da iniciativa de responsabilidade social da Multichoice Talente Factory. O realizador partilhou ideias sobre o caso específico da Nigéria e abordou o peso da mesma no PIB (Produto Interno Bruto) daquele país em comparação com a realidade nacional. “Nós temos as mesmas experiências, nós também temos petróleo, o que é importante é reconhecer primeiro que o cinema tem uma audiência, a audiência paga dinheiro, isso cria economia.

Então é preciso apoiar os fazedores de filmes, para que isso se traduza no número de pessoas que vão pagar vendo filmes”, revelou. Para o profissional é possível ligar a tecnologia de fazer filmes à tecnologia dos telefones, para se conectar a audiência. Isso pode ajudar a criar economia, tendo em conta que quase todo mundo tem acesso aos smartphones. Conta que muitos filmes nigerianos foram feitos com câmaras simples, por este facto, a indústria deve colaborar mais e as pessoas devem trabalhar juntas para criarem-se projectos. O resultado desses projectos vão produzir dinheiro para surgirem mais projectos, o qual dá mais importância à produtividade, alegando que toda a economia vem da produtividade.

“Não podemos esperar ter um milhão de dólares para fazer um filme, temos de fazer filmes com qualquer quantia que tivermos agora”, aconselhou. “É preciso começar do pequeno para chegar-se a algo que é grande. Eu digo ‘comece do pequeno e pense grande’, mas aja localmente. Todos os países africanos têm muitas histórias. Apenas devem contá-las. Não vai ser perfeito, mas a prática faz o mestre, por isso eu digo unicamente que devemos começar”, frisou. De acordo com Femi, os pilares para o Governo encorajar as pessoas a esforçarem-se nesta indústria privada, assenta-se em promover talentos jovens.

Realizador reconhece talentos angolanos

Para se ancorar no mundo da cinematografia considera ser um processo progressivo. ”Há muitos talentosos em Angola, há muitas histórias aqui. A primeira coisa é que vocês têm uma língua comum, quer dizer que toda audiência pode ter acesso aos vossos filmes”, frisou. Recomenda a não se comparar a qualquer outro país, porque um dos segredos da Nollywood (apelido atribuído a Nigéria pela tamanha produção de filmes) foi não comparar-se a ninguém, e também para não se acabar deprimido. “Eu não quero dizer que deve ser como a Hollywood, quanto mais filmes fizermos, mais melhorias vamos obter e quanto mais melhorias obtivermos, vamos crescer. Por isso reforço que devem contar histórias. Angola tem uma boa tradição literária, Angola tem uma forte cultura tradicional, Angola também é um país único aqui no continente africano”, encorajou. Segundo o Femi os filmes são feitos pela audiência. Devemos fazê-los apenas pensando na audiência, contando histórias com as quais a audiência se identifique. O cinema na Nigéria tem vindo a crescer a cada ano. Actualmente, o país anglófono tem a maior indústria de filmes em África e a terceira do mundo.

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