Angola aumenta contribuição no FIDA

Angola vai aumentar a sua contribuição no Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), com mais dois milhões de dólares, em resposta ao apelo do Presidente desta agência das Nações Unidas, Gilberto Houngbo.Segundo uma nota de imprensa da embaixada de Angola na Itália, a decisão do Governo foi anunciada hoje pelo ministro angolano da Agricultura e Florestas, Marcos Nhunga, durante o seu discurso na 42ª sessão do Conselho de Governadores do FIDA, que decorre desde quinta-feira em Roma, sob tema central “A Inovação e o Empreendedorismo no Meio Rural”.
“O Governo de Angola respondeu favoravelmente ao apelo do Presidente Gilberto Houngbo, no sentido dos Países aumentarem as suas contribuições, pelo que Angola irá contribuir com mais dois milhões de dólares”, acrescentou o governante angolano.
Com o aumento da sua contribuição, Angola obterá vantagens acrescidas no que se refere a financiamentos do FIDA e apoio técnico para projectos de desenvolvimento da agricultura familiar e comercialização para erradicação da fome e da pobreza no meio rural, disse.
Os projectos em curso no país tem a ver com o desenvolvimento da agricultura familiar e comercialização (SAMAP, avaliado em 38,8 milhões de dólares), resiliência e recuperação agrícola (ARP, 7,8 milhões), pescas (8 milhões) e um novo ligado ao fortalecimento da resiliência de pequenos produtores (SREP), estimado em 127 milhões de dólares.
O ministro afirmou que o país conhece uma nova dinâmica assente, entre outros, no combate à corrupção, na diversificação da produção, com prioridade para o sector da agricultura e pescas, e na atenuação dos fortes desequilíbrios regionais.
Nesse sentido, explicou, o Governo criou um conjunto de programas de suporte ao desenvolvimento da agricultura, para facilitar o acesso a fertilizantes, sementes melhoradas, a correcção da acidez dos solos e a meios mecânicos, visando a melhoria da produção e da produtividade e conseguir-se a médio prazo a auto-suficiência em determinados produtos alimentares, com destaque para os cereais, tubérculos e produtos da pesca.
Pretende-se, igualmente, criar oportunidades de emprego para os jovens no sector agrícola, utilizando processos mais mecanizados e alargar a todo o país as escolas de campo, o cooperativismo e a promoção de caixas comunitárias, que é um fundo gerido por uma cooperativa de serviços ou por uma associação de pequenos agricultores, acrescentou.
Para Marcos Nhunga, a agricultura familiar continua a ter um papel relevante no fornecimento dos mercados locais, pelo que o Governo incentiva os empreendedores nacionais e estrangeiros, de média e grande dimensão, para investirem na agricultura e na agro-indústria, visando o mercado interno e a exportação.
O ministro defendeu a inclusão, nos projectos do FIDA, do seguro agrícola, para que os camponeses e os pequenos agricultores, se sintam mais protegidos, devido à aleatoriedade da agricultura, agravada com as alterações climáticas.
Na agenda do governante angolano constam encontros com o presidente do FIDA, Gilberto Houngbo, o director-geral da FAO, Graziano da Silva, o ministro das Políticas Agrícolas, Alimentares, Florestais e de Turismo da Itália, Gian Marco Centinaio, o ministro da Agricultura dos Camarões, Bairobe Gabriel, a directora para África Oriental e Austral do FIDA, Sara Mbago-Bhunu, e com o representante do Banco Árabe para o Desenvolvimento Africano (BADEA).
A cerimónia de abertura contou com o discurso do Papa Francisco, que foi o convidado especial, e do Primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte.
Na sua mensagem, o Papa Francisco apelou à consciência da comunidade internacional, sobretudo para problemáticas como “a poluição do ar e das águas”, a “delapidação dos recursos naturais”, a falta de “infra-estruturas de saúde” e de “habitação” para todos, questões que têm influência decisiva na “situação precária” em que muitas pessoas se encontram.
Para Francisco, é fundamental uma maior “determinação no combate contra a pobreza e a fome”, e a “comunidade internacional”, sobretudo quem “tem maiores recursos”, deve estar mais empenhada nesse sentido, “não fugindo às suas responsabilidades” mas procurando “soluções reais e concretas”.
Neste esforço de atender às necessidades das populações mais carenciadas, recordou de modo particular as mais de 820 milhões de pessoas que passam fome ou sofrem de subnutrição, o Papa destacou o papel decisivo da ciência e da tecnologia.
O programa desta 42ª sessão, que encerra hoje, prevê o lançamento do Fundo de Investimento para o Empresariado Agrícola, denominado “Fundo abc”.
Entre outros temas em debate, constam “O futuro do FIDA: colaboração com o sector privado”, “dar os meios ao empresariado social para uma transformação rural inclusiva” e “o futuro do FIDA: arquitectura financeira, conversa com os governadores”.
O FIDA é uma agência especializada das Nações Unidas criada em 30 de Novembro de 1977 e tem a função de uma instituição financeira, com o objectivo de contribuir para a erradicação da fome e da pobreza no mundo.
O Presidente do FIDA visitou Angola duas vezes, sendo a última em Dezembro de 2018, que serviu para avaliar o grau de execução dos programas do sector financiados pelo fundo.

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