Cenários e leituras

João Lourenço precisa de um MPLA mais à sua imagem, daí a marcação do novo congresso para Junho próximo, o terceiro desde 2016. Esta é uma leitura possível, se juntarmos à necessidade de preparação do partido para as autarquias o momento actual, com algumas figuras importantes em contas com a justiça. É impossível separar o congresso e os seus propósitos dos efeitos da luta contra a corrupção. O eleitorado é capaz de aceitar e votar num “MPLA bom”, livre dos “maus”, mas até lá terá de haver paz e estar tudo esclarecido. O tempo começa a contar. Os processos judiciais que implicam altos dirigentes e deputados do MPLA não podem ser apenas fogo de artifício, têm de, ao menos, chegar ao Parlamento com pedidos de suspensão das imunidades dos implicados. E quando chegarem os pedidos, a Oposição vai votar contra, divertindo- se. Os sinais dos últimos pronunciamentos da UNITA apontam para aí. Vai justificar-se com a “selectividade” do processo e com necessidade de maior transparência. O MPLA, na sua maioria qualificada, vai ficar com a batata quente nas mãos, tendo de entregar os seus. E aqui, ou todo o Grupo Parlamentar vota a favor da “entrega”, ou abrem-se brechas com deputados a desalinhar- se da postura do Executivo e do judicial. Para uns, serão os maus a sabotar a “limpeza”, para outros será o início do fim de João Lourenço. Leituras apenas…

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