Falcão desafia empresários a denunciarem agentes do Estado que cobram luvas

O governador provincial de Benguela, Rui Falcão, desafia os empresários de Benguela a denunciarem agentes do Estado que cobram luvas para empreitadas em obras públicas, independentemente do cargo que exerçam no Governo

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

De acordo com fontes de O PAÍS, era prática corrente alguns membros do Governo sujeitarem empresários, sobretudo os do sector da construção civil, a luvas nas adjudicações de empreitadas públicas. Ou seja, para o empresário habilitar- se a uma obra pública era, em certa medida, obrigado a dar contrapartida a responsáveis do departamento governamental correspondente. Todavia, no encontro que o governador manteve com a classe empresarial na tarde desta Quarta- feira, 14, no seu palácio, o empresário Carlos Cardoso louvou o facto de os concursos públicos realizados recentemente pelo Governo de Benguela terem obedecido os marcos da transparência consagrados legalmente.

Ciente de alguma realidade que em nada favorece a sua gestão política e administrativa à frente de uma província que ainda se debate com sérios problemas de energia eléctrica e de resíduos sólidos, o governador de Benguela desafia os empresários a denunciarem quaisquer práticas que indiciem suborno por parte de membros do Governo para determinadas empreitadas. “Isso tem a ver com o comportamento das pessoas. Nós, enquanto dirigentes e responsáveis, não podemos manietar os cérebros das pessoas”, disse, mas adverte que não vai permitir que determinados comportamentos de membros do seu Executivo lesem a imagem do Estado. O governante, que quer denúncias de aliciamento, diz que não precisa que os denunciantes mencionem o nome das pessoas envolvidas, mas que relatem apenas os factos, que ele se vai encarregar de aferir a veracidade de tais denúncias “nós vamos averiguar se era possível acontecer aquilo. Seja quem for, seja onde for”, sugere.

Há “malandros” no Governo

Rui Falcão está convencido de que, se os empresários assim se procederem, estarão a ajudá-lo a melhorar a sua prestação e, por conseguinte, a imagem do Estado e, deste modo, combater a “malandrice” que ele acredita existir no seu Executivo. “Se nas nossas casas, às vezes, somos quatro ou cinco e há um malandro, agora imaginem num Governo como o Governo de Benguela, que temos 28 departamentos, não sei quantos funcionários em cada departamentos, há de haver sempre lá um malandro. Eu não tenho dúvidas disso”. Para Falcão, quanto maior for a prestação do Estado ao empresário, melhor será o desempenho deste. Entretanto, criticou o facto de alguns empresários alinharem em esquemas de luvas. “Não basta ficar na teoria. Nós já temos detectado algumas questões, estamos a resolvê-las, não precisamos de lançar foguetes… Mas só podemos fazer quando algumas pessoas indicam”, disse, para logo a seguir defender a necessidade de o relacionamento entre o Governo e os empresários assentar-se na base da confiança e transparência.

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