Esta estranha certeza

A coisa mais estranha do mundo talvez seja aquela de que toda a gente diz ser a melhor coisa do mundo. Talvez sejam as suas particularidades estranhas que a tornam na melhor, porque não se rejeita, busca-se. Porque não se resiste, toma de assalto quando e como quer. Porque não se retém, vai-se embora quando entende. E porque não se poupa, enriquece quem mais gasta. É tão estranha que se tem disso noção quando se está de fora, mas sem a capacidade de a entender minimamente, apesar da certeza de ser a única coisa que nos mantém como humanos e que determina a evolução da espécie. Vi, ontem, no Jornal de Notícias, imagens, várias, sobre o Dia dos Namorado, ou Dia do Amor, como se queira. Um erro mais, porque ele simplesmente não tem dia, não respeita este tipo de convenções. Das muitas que vi, com gente apaixonada, de várias idades e em vários cenários, uma me prendeu a atenção: ela está toda coberta, com excepção do rosto e das mãos. Sobrancelhas arranjadas. Ele usas calças justas, ténis, tal como ela, e um casaco de cabedal, o dela é de ganga. Os dois têm os olhos fixos no chão da de terra da rua em que caminham, lado a lado, mas distantes pelo menos um metro. O que os rodeia é a mais pura destruição, escombros de edifícios, paredes marcadas por balas e dois minaretes a crescer para o céu. Cada um deles tem nas mãos uma rosa vermelha, o amor, a fé, a esperança, o que for. Cada um deles está preenchido de humanidade, de amor.

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