Médicos marcham hoje pela valorização da classe

“Exigimos respeito e dignidade; somos médicos e não carniceiros; Eu acredito no médico angolano. MINSA respeite a classe médica”. Estas são algumas das frases de ordem que serão proclamadas pelos manifestantes que sairão da rotunda do Kalunga até ao Gabinete Provincial da Saúde em Benguela. O resto do país marchará igualmente

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

Centenas de pessoas deverão juntar-se, hoje, à marcha promovida pelo Sindicato dos Médicos em Benguela, visan-do a valorização da classe médica por parte do Ministério da Saúde, na base dos pontos constantes num caderno reivindicativo. Os médicos locais dizem-se ofendidos com as declarações proferidas recentemente pela ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, na sequência do último concurso público, o qual o sindicato da classe considera ter estado eivado de irregularidades. Por essa razão, decidiram promover uma marcha, que denominam de “Pacífica”, para a qual esperam a participação de toda a sociedade benguelense.

O secretário provincial do Sindicato dos Médicos, Edgar Bucassa, justifica que os médicos, sobretudo angolanos, fazem um esforço titânico para servir a população e não o vêm reconhecido por quem de direito. “Nós nos sentimos lesados com as últimas afirmações. E uma das lutas a nível nacional é que todos os médicos angolanos tenham a oportunidade de entrar na função pública”, frisou. O médico considera que o concurso público não pode ser factor para aferir a qualificação de um médico que ficou 6 a 7 anos na academia a absorver conhecimentos técnico-científicos. Face aos últimos “incidentes”, Edgar Bucassa considera “uma autêntica falta de respeito” do Ministério da Saúde para com os médicos. “Por isso é que estamos a marchar para termos a dignidade que o médico angolano merece”, afirmou.

O secretário do sindicato dos Médicos lamenta o facto de os interesses da classe que representa não estarem a ser salvaguardados. Edgar Bucassa garante terem já enviado um caderno reivindicativo ao qual o sector da Saúde não respondeu e faz duras críticas ao pelouro que tem à testa Sílvia Lutukuta. “A cada dia o Ministério preocupa- se mais em querer contratar médicos estrangeiros, quando nós temos médicos angolanos e bons. Muitos deles já estão a funcionar nas unidades sanitárias”, disse, reclamando por subsídios de transporte e reconversão na carreira. Por sua vez, a médica Palmira Pinto revela que as palavras de ordem que vão nortear uma marcha que se quer bastante concorrida serão: “exigimos respeito e dignidade; somos médicos e não carniceiros; Eu acredito no médico angolano. MINSA respeite a classe médica”.

Além do departamento ministerial de Sílvia Lutukuta, a profissional aponta o dedo à Ordem dos Médicos de Angola por, no seu entender, “não estar a assumir devidamente o seu papel”. Segundo justifica, uma vez que estão inscritos na Ordem dos Médicos, era expectável que houvesse sensibilidade desta organização aos problemas que afligem a classe e, por isso, mostra-se preocupada com o seu silêncio. “O silêncio é preocupante. Esperamos ouvir deles um pronunciamento que pelo menos nos defendesse”, disse. A marcha em Benguela parte da rotunda do Kalunga até ao Gabinete Provincial da Saúde.

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