Carta do leitor: Não façam do lixo um novo petróleo

POR: João Jorge

Caro director do Jornal O PAÍS, obrigado pela oportunidade que tem dado a todos os cidadãos angolanos de manifestarem livremente as suas opiniões e, por esta via, contribuírem para se identificar os problemas e resolvê-los. Hoje quero voltar a falar da questão do lixo, cujos critérios de pagamento ainda estão muito distante de colher a simpatia de todos nós. Sou morador do Talatona, o bairro situado entre as bombas de combustível dos Mirantes e o condomínio dos Cajueiros. Porque cá, segundo os nossos coordenadores do bairro, existem mais de cinco mil casas, entre grandes vivendas, prédios e outras de apenas um quarto e sala. Toda a gente, sem distinção dos são obrigados a pagar pela mesma factura, que aqui há uns tempos atrás era 2500 Kz da taxa de lixo. Temos contentores apenas nas ruas principais e fazemos grandes distâncias para depositar os resíduos no local certo. Sei que esta realidade é a de muitos bairros e considero injusto que se cobre valores tão avultados para um trabalho que não é bem prestado. Senhor director, com todo respeito que tenho pelas nossas autoridades, quero terminar esta minha mensagem com a posição de um prelado católico que, assim como eu, considera injustos os critérios e valores aplicados na cobrança: “Não façam do lixo um novo petróleo”. Ora é isso mesmo que os lubanguenses estão a conseguir. Nesta altura são pioneiros de uma nova maneira de recolher o lixo, vejam só, com uma brigada de kupapatas e a preço baratucho, 8oo paus por mês , pago à razão de a 200 kwanzas por semana.