Cidade do Waku-Kungo recebe energia de Cambambe ainda este mês

A cidade do Waku-Kungo, sede do município da Cela, na província do Cuanza-Sul, vai ficar interligada ainda este mês (Fevereiro) ao Sistema Norte de transporte de corrente eléctrica, a partir da barragem de Cambambe, anunciou, em Benguela, o secretário de Estado da Energia, António Belsa da Costa

Segundo o responsável, que falava durante a palestra sobre as medidas de apoio ao aumento da produção nacional, esta interligação vai acelerar as condições socio-económicas e produtivas daquela localidade, em resposta às recomendações do Executivo para este sector. António Costa defendeu que a cadeia de aumento da produção nacional e/ou diversificação da economia passa pela criação de condições básicas de fornecimento de água e corrente eléctrica em quantidade e qualidade aceitáveis, tal como se vai fazer agora no Waku- Kungo. Relativamente à província de Benguela, cuja necessidade de consumo de energia domiciliária ronda aos 200 Megawatts, contra a actual produção global 98,3 Mw, aquele responsável frisou que o ministério de tutela está a trabalhar para que ainda este ano a região esteja igualmente conectada ao Sistema Norte, partindo da cidade da Gabela, também no Cuanza- Sul.

“Vamos transportar para Benguela uma quantidade que satisfação a demanda local, daí que foram projectados 150 MW para resolver a situação de Benguela (litoral), o que vai permitir que todas as fontes térmicas sejam desligadas e só postas em linha no caso de manutenções temporárias”, informou, aludindo que isso vai baixar substancialmente os custos actuais com os combustíveis. O Secretário de Estado disse que o país já esteve mal em termos de produção de energia, mas que hoje a realidade é diferente, pois o sector regista um aumento de produção 500 MW/ano nos últimos dois anos.Apesar do aumento dos níveis de consumo, as actuais reformas também deram lugar a elevação da capacidade de produção, nomeadamente com a colocação no sistema de 960 MW provenientes de Cambambe, contra a sua anterior produção de 260 MW, a entrada no sistema de 50 porcento dos 2.070 Megawatts da produção global projectada para Laúca, além da produção proveniente do ciclo combinado do Soyo e da Barragem de Capanda. Isso, frisou, coloca o país com uma disponibilidade de 4.700 Megawatts, apesar de ainda insuficientes.

Sublinhou que a criação das três empresas que tutelam a gestão energética, nomeadamente a PRODEL, Empresa de Produção de Electricidade, a RNT (Empresa Nacional de Transportação de Electricidade) e a ENDE (Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade), enquadra-se nas inovações que surgiram no âmbito das reformas encetadas para assegurar melhorias no sector. Sobre a água, indicou que alguns conselhos de administração ainda aguardam pela sua nomeação, enquanto outros, como o do Lobito e de Benguela já funcionam. “O que se quer é que todas as províncias, senão mesmo os municípios, estejam bem servidos do ponto de vista de distribuição de água e de corrente eléctrica”, concluiu. Realçar que na última Quarta-feira o governador de Benguela, Rui Falcão, manifestava o seu cepticismo em relação a uma promessa da direcção do ministério da Energia e Águas, que apontava para o I semestre deste ano como o período provável para que a linha de transporte a partir do Cuanza-Sul chegasse ao município do Lobito.

Cerca de uma centena de empresários benguelenses e do Cuanza- Sul participaram na palestra sobre medidas de apoio ao aumento da produção nacional, dividida em dois painéis, sendo que o primeiro sobre a melhoria do ambiente de negócios e concorrência e o segundo relacionado ao apoio à produção, substituição de importações e diversificação das exportações. Os prelectores foram especialistas de vários departamentos ministeriais como os das Finanças, Justiça e Direitos Humanos, Comércio, Ordenamento do Território e Habitação, Interior, Energia e Águas, Construção e Obras Públicas, Ambiente e Saúde, Economia e Planeamento, Agricultura e Florestas, Pescas, Indústria, dentre outros, assim como do Banco Nacional de Angola. A cerimónia de abertura foi presenciada igualmente por outros governantes, secretários de Estado, governador provincial de Benguela (anfitrião) e demais convidados.