Ministério da Saúde quer acabar com pagamento de renda à FESA

Actualmente, a Central de Compras e Distribuição de Medicamentos e Dispositivos Médicos de Angola (CECOMA) funciona nas instalações da antiga fábrica de medicamentos ANGOMEDICA e paga, mensalmente, uma renda de 3,5 milhões de kwanzas à SAINVEST, uma subsidiária da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), com um contrato que a ministra da Saúde considerou “pouco claro”

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, afirmou, Sábado (16), que a CECOMA paga, mensalmente, uma renda de 3,5 milhões de kwanzas à SAINVEST, uma subsidiária da FESA, sendo que neste valor não estão incluídos os custos de energia, água e manutenção do edifício. Actualmente, a CECOMA funciona nas instalações da antiga fábrica de medicamentos ANGOMEDICA, local que mereceu neste Sábado a visita do Presidente da República, João Lourenço. Em entrevista no final da visita, a ministra da Saúde revelou ter sido assinado em 2005 um contrato com a SAINVEST, em que havia um compromisso do pagamento dos lucros, na ordem dos 5%, ao Ministério da Saúde.

Todavia, de acordo com Sílvia Lutucuta, a uma dada altura começou- se a efectuar pagamentos de rendas, bem como um processo de privatização, que considerou “pouco clara”. “Continuamos a achar que a ANGOMEDICA é património do Estado”, afirmou. Neste contexto, garantiu que serão envidados esforços no sentido de averiguar a situação e passar a referida unidade fabril ao património do Estado, especificamente ao Ministério da Saúde. “É uma fábrica de medicamentos que tanta falta faz ao país. Muito antes de 2005 trabalhava em pleno e fabricava medicamentos essenciais, que serão uma mais-valia para a nossa economia para o sector da Saúde e para a melhoria de assistência médica e medicamentosa”, disse. De acordo com a ministra da Saúde, o Estado actualmente encontra- se sem alternativas no que se refere ao armazenamento de medicamentos.

“Nós ficamos numa situação em que não há outra alternativa. Nós temos uma grande demanda de medicamentos a nível nacional”, justificou. A titular da pasta da Saúde justificou haver uma grande demanda de medicamentos a nível nacional e que mesmo aquele armazém não pode responder às necessidades e não há, referiu, armazém alternativo. Sílvia Lutucuta disse acreditar que a boa solução virá, relativamente à propriedade da ANGOMEDICA. “Isto vai minimizar os problemas que temos com armazenamento de medicamentos e com a conclusão da outra obra de armazenagem no Cacuaco”, disse. Garantiu também estarem a ser envidados esforços para melhorar o acompanhamento logístico de medicamentos até ao consumidor final.

Sector da Saúde precisa de mais de 100 mil profissionais

O Presidente da Republica visitou ontem, Sábado, a CECOMA, o Hospital Geral de Luanda e o Hospital Josina Machel. No final da visita, a ministra da Saúde admitiu que um dos principais problemas do sector da Saúde no país está na carência de recursos humanos. De acordo com Sílvia Lutucuta, se o país seguir o que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde, serão necessários mais 76 mil enfermeiros e 30 mil médicos. Todavia, em relação aos médicos, referiu que as universidades não estão a formar quadros suficientes. Deste modo, referiu ser fundamental que se aumente a eficiência dos profissionais que já labutam no sector e que se admitam gradualmente novos quadros. Porém, referiu ser fundamente a formação contínua.

Presidente da República constacta in loco problemas nas unidades de Saúde

Durante a visita, o Presidente da República, João Lourenço, constactou o funcionamento da Central de Compras e Distribuição de Medicamentos e Dispositivos Médicos de Angola (CECOMA), do Hospital Geral de Luanda e do Hospital Josina Machel. Na CECOMA, por exemplo, a maior preocupação do Chefe de Estado recaiu para a questão jurídico-legal da ANGOMEDICA face aos recursos que têm sido gastos com o arrendamento. Mostrou, igualmente, preocupação com a logística, distribuição e acompanhamento dos medicamentos. No Hospital Geral de Luanda, o Presidente da República foi recebido pelo director-geral do hospital, Carlos Zeca, que no hall de entrada efectuou a apresentação da unidade. Na ocasião, falou de algumas preocupações, como o reduzido número de médicos no banco de urgências e a falta de um aparelho de angiografia.

Durante a visita, o Presidente da República fez perguntas e visitou diferentes áreas, como a pediatria e a obstetrícia. No local foi possível verificar que a área de neonatalogia carece de melhorias, bem como são necessários equipamentos adicionais, sobretudo na área de microbiologia. Na referida unidade existem alguns aparelhos descontinuados porque faltam peças e porque alguns trazem informação em língua estrangeira, como o mandarim. Situação que a ministra da Saúde garantiu estar a ser acautelada com a aquisição, para breve, de novos equipamentos. No Hospital Josina Machel, uma unidade secular que funciona desde 1883, a visita demorou mais tempo. O Presidente da República chegou pontualmente às 11h:30 conforme havia sido agendado e terminou a visita cerca de duas horas mais tarde. Ali foi possível constatar a existência de áreas críticas que carecem de melhorias, nomeadamente o bloco operatório, a unidade de cuidados intensivos, a capacidade diagnóstica na cirurgia cardíaca e na consulta de cardiologia.

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