Saúde, a nossa maka

Antes de mais, deixem passar este reparo: o hospital de Luanda, o Geral, está mesmo ao lado de um dos maiores cemitérios do país, o de Camama. E já é sabido que por Camama também se está a erguer uma grande morgue, relativamente perto do hospital pediátrico, em obras na mesma zona. Tipo serviço expresso. E como o cemitério é enorme e a morgue, à boa moda angolana, tem de estar entre as maiores, talvez os médicos passem a ganhar pela produtividade na alimentação da cadeia. Ao menos assim se entenderia a luta do sindicato dos doutores contra os chumbos de médicos candidatos a um lugar na função pública. O que se deveria fazer era proibir os chumbados de usar a bata. Porque quem nada sabe na função pública também nada sabe no privado. Houvesse coragem! Segundo a lei, a prova no concurso deve ter sessenta por cento de matéria específica da profissão, mais vinte de cultura geral e outros vinte de deontologia. Precisamos de mais médicos, mas o sindicato não precisa de lutar pela entrada de maus médicos no sistema de saúde, a carnificina já vai alta. Ontem tivemos uma batalha interessante, os médicos saíram à rua a protestar contra os chumbos e por melhores condições de trabalho (aqui apoio) e o Presidente da República saiu em solidariedade com a sua ministra, visitando hospitais e o CECOMA. Abafou a marcha dos médicos, que perderam a oportunidade de protestar nos próprios hospitais.