APN defende a criação de um bloco de partidos na oposição

esta única força política extra-parlamentar entende que, com a criação deste bloco, será possível haver alternativa ao poder do governo do MPlA, o qual tem sido acusado de impôr o modelo geográfico para a realização de eleições autárquicas, previstas para 2020

O presidente da Aliança Patriótica Nacional(APN), Quintino Moreira, apelou ontem, na vila do Songo, província do Uíge, a todas as forças políticas na Oposição para formar um bloco compacto para implementar em Angola uma “verdadeira democracia” da qual se poderão orgulhar as futuras gerações. Falando na abertura do ano político 2019 do partido que dirige, afirmou que só com todas as forças políticas da oposição, será possível a alternância democrática do poder político em Angola. “Sem a unidade das forças patrióticas, dificilmente alcançaremos este desiderato”, reforçou, sublinhando a necessidade de se institucionalizar esta frente política o mais depressa possível.

Quintino Moreira sustentou que o que se pretende com este bloco é trabalhar, ganhar eleições e formar um outro governo que dê melhores condições ao povo. O acto em foco serviu ainda para constatar o funcionamento do partido nesta província, o qual considerou positivo. O político disse estar congratulado com a acção política do seu partido e, apesar das dificuldades financeiras que atravessa por falta de financiamento, decorrente do corte do Orçamento Geral de Estado às forças políticas extra-parlamentares, está a preparar-se para concorrer nas eleições autárquicas.

Eleições autárquicas

Olhando já para as eleições autárquicas do próximo ano, o líder da APN instigou as estruturas locais a redobrarem o trabalho com as populações, reiterando a importância das autarquias e o impacto que as instituições dos órgãos do poder local vão produzir na vida social das comunidades. Depois de destacar a importância deste processo autárquico, sublinhou que se na Assembleia Nacional está expressa a democracia democracia representativa, através dos deputados, com as eleições autárquicas será implementada a democracia participativa. Recordou que na Assembleia Nacional, os interesses do povo são delegados aos deputados que os representam naquele órgão de soberania, avançando que nas eleições autárquicas o povo participa directamente na gestão dos assuntos da sua comunidade. “Numa verdadeira Democracia o poder emana do povo e os órgãos eleitos devem tudo fazer para materializar o seu programa em prol do povo que os elegeu”, disse.

Gradualismo geográfico

Na sua intervenção, Quintino Moreira reiterou que a Aliança Patriótica Nacional continua preocupada com a pretensão da realização das eleições autárquicas sob um modelo geográfico, defendido pelo Governo. “Estamos profundamente preocupados com o facto de aqueles que dirigem Angola, entenderem nos impôr o tal princípio do gradualismo”, disse. Com este princípio, reforçou o político, o partido no poder quer coarctar o direito de participação do povo nas eleições autárquicas à escala nacional. Acusou o partido governante de pretender realizar eleições autárquicas naqueles municípios em que julga ser vencedor antecipado. “Para nós, Aliança Patriótica Nacional, à semelhança das eleições gerais, as eleições autárquicas devem ser realizadas em todos os municípios do nosso país”, reiterou.

Candidaturas locais

Neste acto, testemunhado por representantes da UNITA, PRS, CASA-CE e FNLA, o líder da APN anunciou que a sua força política vai dar prioridade às candidaturas locais, ou seja, privilegiar os candidatos naturais residentes nas correspondentes circunscrições. “Quando se conhece e se vive uma determinada realidade, está-se seguramente preparada para ajuizar as melhores opções, as melhores soluções”, sustentou, realçando que isso não afasta que outros candidatos não residentes possam concorrer para determinadas autarquias. A abertura deste ano político de 2019 marca o ponto de partida de todas as acções que este único partido extra-parlamentar vai levar a cabo em todo o país.

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