Figueira Ginga: “Humoristas centralizam atenções na II temporada do “duetos N’Avenida”

Estando o arranque prevista para o dia 23 de Fevereiro, com show de Euclides da lomba e gabriel Tchiema, a grande novidade para a presente edição é a aparição no cartaz da dupla dos excêntricos humoristas Calado Show e gilmário Vemba, dos Tuneza, de quem se aguarda um figurino diferente do habitual, sob a chancela da Zona Jovem Produções

O empreendedor cultural Figueira Ginga, director executivo da Zona Jovem Produções, está convicto do valor do Duetos N’Avenida e, por isso, manifesta boas expectativas para a segunda temporada do projecto, a 23 de Fevereiro na Casa 70, em Luanda. Entretanto, apesar do êxito da primeira fase, ele quer “fazer mais e melhor” e poder convencer mais empresas a investir na música e cultura angolana de qualidade.

“O projecto carrega em si responsabilidade social, pois já passaram por ele oito cantores e cerca de 70 músicos, num período de cinco meses. Estamos, assim, a contribuir para que o nosso leque artístico tenha mais trabalho, em shows com um posicionamento diferenciado”, ressalta o mentor da iniciativa na entrevista que se segue:

Na conferência de lançamento da segunda temporada do Duetos N’Avenida, ficou evidente a força do projecto, que conquistou a adesão de músicos consagrados como Paulo Flores e Yuri da Cunha e, desta vez, Euclides da Lomba, Tchiema, Pérola, Yola Semedo, entre outros. A que atribui o “sim” desses artistas de renome ao projecto?

Acima de tudo ao cariz, à seriedade e ao posicionamento diferenciado do “Duetos” que, de alguma forma, tem contribuído para o resgate da dignidade do artista angolano.

Sabe-se que um projecto como este tem um custo elevado, sendo bem difícil torná-lo comercialmente viável. Qual tem sido a estratégia da Zona Jovem?

Primeiramente, posicionamo-nos como empreendedores culturais e acreditamos que a música de qualidade em Angola perdeu algum espaço e, por conta disso as empresas distanciaram-se. E a nossa estratégia tem passado por insistentemente bater de porta em porta e apresentar o nosso projecto, certos de que o mesmo constitui uma mais-valia para o mosaico cultural angolano. Neste momento, ainda precisamos de contar com recursos próprios, mas felizmente já tivemos algumas empresas a abraçar o projecto na primeira temporada e estamos esperançados que outras mais aceitem o desafio nesta segunda temporada. E uma terceira que já está a ser preparada.

A venda antecipada de ingressos desde 5 de Fevereiro para toda a temporada pode resultar numa grande procura e abrir a possibilidade de aumento no número de espectáculos. Algum artista já confirmou ter espaço na agenda do “Duetos”?

Nesse figurino, o processo funciona primeiro por termos necessidade de um segundo show, em concerto com as partes envolvidas, incluindo os patrocinadores e, só depois, com os artistas. A agenda é algo que sempre tem como se enquadrar. Mas a nossa expectativa é grande quanto a isso, depois de a procura durante a primeira temporada ter sido muito boa. Para facilitar esse processo, já disponibilizamos as reservas para todos os espectáculos da presente temporada, bastando que os interessados liguem para os contactos disponíveis nos flyers e mesmo na Casa 70, a fim de garantir o seu lugar.

A experiência obtida com a primeira temporada deixou mensagens a serem consideradas pela Zona Jovem para que o Duetos venham a conquistar outros passos?

Podemos considerar que tivemos sucesso na primeira temporada com a boa receptividade do público, mas ainda continuamos com o desafio de convencer as empresas privadas a investir na música e cultura angolana de qualidade.

Como assim?

O projecto carrega em si responsabilidade social, pois passaram por ele oito cantores e cerca de 70 músicos, num período de cinco meses. Estamos assim a contribuir para que o nosso leque artístico tenha mais trabalho, em shows com um posicionamento diferenciado, o que considero muito relevante. Se adicionarmos a isto o pessoal que trabalha no som, na luz e nos serviços da casa show, o nosso projecto empregou temporariamente um número significativo de pessoas. E ainda conseguimos proporcionar uma agenda cultural de qualidade, enriquecendo a programação cultural de Luanda.

Qual foi o mote para a escolha de cada uma das duplas para a nova temporada?

Bem, com o Euclides da Lomba e Gabriel Tchiema, a diferença de estilos e a excelência dos cantores foram os pontos que mais contaram e, no caso de Don Kikas e Walter Ananás, celebrar o amor no Mês da Mulher com dois artistas que marcaram uma geração fará toda a diferença. Já Yola Semedo e Pérola trarão a jovialidade e vivacidade musical no feminino, no Mês da Juventude. Ary e Kiaku Kyadaffi constituem uma aposta em dois músicos versáteis e carismáticos que cantam a vivência do dia-a-dia do angolano. A grande novidade da temporada – Calado Show e Gilmário – permite- nos mostrar a qualidade dos artistas angolanos noutras formas de arte, numa vertente que precisa também de afirmação em grandes palcos.

Pensamos não ter sido por acaso a Zona Jovem incluir um stand up comedy no elenco do Duetos. A produtora pretende investir em outros projectos dentro da modalidade do humor?

Somos pela cultura e pela arte de todos os tipos e formas. Sempre que tivermos a possibilidade de expandir a nossa actuação fora da música, assim o faremos. E nós já temos, sim, alguns projectos fora da música, mas tudo passa por investimentos.

Como foi a receptividade dos artistas quando receberam o convite para apresentarem-se nesta temporada?

Mostraram-se todos entusiasmados com o desafio e com enorme vontade de começar a trabalhar com os parceiros. E alguns deles já estão a fazê-lo. Desde a primeira temporada, os encontros têm sido muito positivos, e os artistas nos relevaram terem vivenciado interacções transformadoras no palco da Casa 70.

O percursionista Chalana Dantas aparece na condução de artistas tão diferentes e a actuar juntos em perfeita sintonia no palco. Como vê este “senhor” da música?

O Chalana Dantas faz parte da produção dos Duetos e, como director artístico, é a cara neste aspecto do projecto, levando aos artistas aquilo que é pensado meticulosamente pela produção.

A ideia de levar espectáculos para outras localidades de Luanda ainda está de pé? Que outras regiões da capital podem entrar nessa lista?

Sim, mantemos essa ideia e queremos concretizá-la já este ano. Tanto para Luanda como para outras províncias. Mas só vamos anunciar os locais com todas as garantias e condições criadas. Esse cuidado faz parte da nossa marca.

Falando agora do regresso do Serenatas à Kianda, anunciada também na recente conferência de imprensa que poderá acontecer já em Março, o que é que nos pode antecipar?

Haverá novidades para breve, mas a única que podemos anunciar neste momento é a expansão para além da música e a mudança de espaço, tornando o projecto mais visível e abrangente. Sendo assim, vamos deixar os Duetos N’Avenida na Casa 70 e levar o Serenatas para outro público.