O nosso comboio

Bonga, Duo Ouro Negro, Pérola, Duo Canhoto. Vários artistas angolanos olharam para o comboio, leram nele histórias de amor e de tristeza, de saudade e de partida, histórias de chegadas também, e moldaram canções lindas, impossíveis de ignorar, tal como é impossível, sempre, alguém ficar-se indiferente à passagem de um comboio. É qualquer coisa de impressionante. Noutros países, uma composição pode atingir velocidades superiores aos duzentos quilómetros por hora. É, realmente, um espectáculo para os sentidos quando o monstro de ferro passa, rasgando a paisagem, transportando pessoas, sonhos, histórias. Temos, em Angola, três grandes caminhos-de-ferro, que se projectam do litoral ao interior, todos eles atravessando paisagens diferentes nos seus percursos, todos eles com potencial para serem um mundo à parte. Na Europa, há quem more em Bruxelas e trabalhe em Paris e que vá de comboio. Morar a centena e meia de quilómetros do local do trabalho já não é problema para muita gente. Mas nós, aqui, com milhões e milhões gastos, ainda não acertamos o passo. Os nossos comboios foram mais efi cientes e úteis quando se moviam a vapor. Hoje, com máquinas a diesel, bem, não andam, e quando andam, as notícias, mais do que recorrentes, são de acidentes e de interrupção da linha, como agora no Moxico. Nisto do comboio, paramos. E ponto final.

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