Bispo de Cabinda tece duras críticas à governação de Benguela

É um religioso que sempre se insurgiu contra a má governação do país, sobretudo nos últimos tempos em que foi elevado à categoria de responsável de uma diocese

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

O bispo da diocese de Cabinda, dom Belmiro Tchissengueti, deplora o estado avançado de degradação em que se encontra o troço alternativo que liga o município da Catumbela ao do Lobito, passando pelo bairro Africano. O prelado católico fala em “ingovernabilidade” da cidade do Lobito. O bispo da província mais a Norte de Angola, que falava na homília da missa que consagrou diáconos três leigos da Comunidade do Espírito Santo, considera inconcebível que o troço apresente aquele tipo de cenário, caracterizado por várias interrupções na via, há muitos anos e, por isso, responsabiliza a Administração Municipal do Lobito, por ser aquela a quem cabe a gestão do bem comum.

“Imploramos, mais uma vez: façam a estrada da Catumbela ao bairro Africano”, pediu o prelado, para quem “é uma vergonha” que, depois de tantos anos de Independência de um país que teve dinheiro em abundância, assistir-se impávido e sereno à degradação de um bairro emblemático. Bastante desapontado com aquele cenário, o bispo da diocese de Cabinda chama a atenção para aquilo que considera de “ingovernabilidade” a que a cidade está votada. “Sintam, os que governam, vergonha desses sinais de ingovernabilidade, desta falta de esforço, desta visão e falta de lucidez e sentido de história que leva ao abandono de uma parte da população desta cidade”, aponta o conhecedor da cidade do Lobito. Embora falte confirmar, segundo disse, tinham sido cabimentadas verbas para a intervenção do troço e não foram usadas devidamente.

A ser verdade, dom Belmiro Tchissengueti considera uma autêntica manifestação de insensibilidade dos governantes. “Não vale a pena reclamar o passado colonial, que já foi embora há 40 anos, temos de nos entristecer com o colono de hoje, que não olha para os próprios irmãos, que não se esforça e não se dedica para dar o mínimo indispensável”, critica o bispo, nomeado em Julho do ano passado pelo Santo Padre. Dom Belmiro Tchissengueti fazia referência à gestão do antigo administrador de Benguela, Amaro Ricardo, o qual tentamos contactar para ouvir a sua versão, mas sem sucesso.

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