Guaidó responde ao desafio de Maduro e espera eleições este ano na Venezuela

O opositor venezuelano Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como presidente interino, disse nesta Quarta-feira que espera que o seu país realize eleições este ano, assim que a autoridade eleitoral deixe de ser “refém” do Governo de Nicolás Maduro. “Isso pode acontecer muito em breve, entre seis e nove meses, uma vez terminada a usurpação do poder por Maduro”, declarou Guaidó numa entrevista por telefone à rede mexicana Televisa. O comentário foi uma resposta ao desafio lançado por Maduro na Terça-feira de convocar eleições. “Por que não convoca eleições para que a sua revolta possa ser apoiada pelo voto do povo? Convoque eleições Sr. auto-proclamado, Sr. palhaço. Convoque eleições Sr. palhaço.

Convoque eleições!”, afirmou, referindo-se a Guaidó, durante um evento público em Caracas. A Venezuela vive uma disputa de poder desde 23 de Janeiro, quando Guaidó, chefe do Parlamento eleito em 2015, se auto-proclamou presidente interino, comprometendo-se a organizar novas eleições. Guaidó descreveu os comentários de Maduro como “chantagem” e “uma declaração vazia para tentar confundir a opinião pública internacional”. Ele insistiu que o Parlamento venezuelano está a tomar as medidas necessárias para organizar novas eleições, mas explicou que elas devem ser convocadas pelo Conselho Nacional Eleitoral, um órgão que, segundo ele, está “sequestrado pelo regime” de Maduro.

“Para termos uma eleição verdadeiramente livre na Venezuela, precisamos renovar o Conselho Nacional Eleitoral”, afirmou. Maduro, que é apoiado pela Rússia, Cuba, China e Turquia, assegura que terminará o seu mandato (2019-2025) e rejeita os apelos da União Europeia e de vários governos para buscar uma solução para a crise por meio de eleições presidenciais livres. Guaidó também rejeitou que o país esteja próximo de uma intervenção militar dos Estados Unidos, como denuncia Maduro. “Não há possibilidade de intervenção como tal, porque cabe aos venezuelanos decidir”, disse ele. A esse respeito, explicou que as conquistas da Oposição, como alcançar a maioria no Parlamento em 2015, os protestos e a protecção dos bens do país no exterior têm sido “uma decisão do povo venezuelano”.