May regressa a Bruxelas depois de deserções causadas pelo Brexit

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, viajou a Bruxelas nesta Quarta-feira para obter mais concessões de uma União Europeia céptica depois de deserções de três parlamentares pró-UE do seu Partido Conservador terem minado a sua estratégia para a saída do bloco

O Reino Unido deve sair da UE a 29 de Março, mas diplomatas dizem que, na prática, Londres tem menos de um mês para acabar com um impasse nas negociações e selar um acordo antes de uma cimeira de rotina de líderes da UE a 21 e 22 de Março. No mês passado, o dividido Parlamento britânico rejeitou, durante uma votação, o acordo para o Brexit que May havia negociado com o bloco, e desde então ela vem lutando para chegar a um meio-termo aceitável para a Câmara dos Comuns e a UE. A decisão das três parlamentares conservadoras de deixar o partido devido ao que classificaram como “condução desastrosa do Brexit”, por parte do Governo, aumentou as dúvidas sobre a capacidade de May de conseguir que qualquer acordo entre Londres e Bruxelas seja aprovado.

A primeira-ministra disse estar triste com as renúncias, mas que continuará empenhada em obter um acordo melhor da UE dentro do prazo do Brexit. Ela deveria conversar nesta Quarta com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. “O que precisamos conseguir são mudanças legalmente vinculantes que convençam o Parlamento de que não ficaremos presos no backstop (da fronteira irlandesa) indefinidamente”, disse o porta- voz de May, prevendo um “debate detalhado” com Juncker. Se bem-sucedida, disse uma fonte, a conversa desta Quarta- feira pode criar algum ímpeto para as negociações e permitir a May debater novas medidas com os líderes numa cimeira da UE no Egipto. Depois ela pode voltar ao Parlamento na semana que vem e exibir algum progresso aos parlamentares antes de outra votação.

A UE recusou terminantemente as exigências de Londres de descartar um protocolo para a fronteira irlandesa – o “backstop” – que críticos britânicos dizem que prenderá o seu país às regras comerciais da UE para sempre. Já o bloco diz que a medida é essencial para evitar controlos alfandegários na nova fronteira entre o Reino Unido e a UE com a conturbada província britânica da Irlanda do Norte e que os “arranjos tecnológicos alternativos” que Londres prefere usar ainda não existem. Bruxelas também resiste à pressão de May para estabelecer um limite de tempo ao backstop ou proporcionar ao seu país uma forma de sair do mecanismo unilateralmente.

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