Operação “lava Jato” no Brasil paralisa obra da BRT em Luanda

Os ventos da operação anti-corrupção que decorre de há algum tempo a esta parte no Brasil sopram por Luanda. A ambicionada BRT (Bus Rapid Transit, ou Trânsito Rápido por Autocarros) esta emperrada porque o financiamento da obra, a cargo da construtura Odebrecht, era do Banco Nacional do Desenvolvimento do Brasil (BNDES) que está sob mira da Operação Lava Jato

A inviabilização do então financiamento, garantido através da linha de crédito do Brasil, em consequência da operação “Lava Jato” que decorre em terras do samba, é a principal causa da paralisação da ambiciosa obra de construção da BTR (Trânsito Rápido por Autocarros) de Luanda. Entretanto, esforços estão a ser feitos para que o projecto que já consumiu recursos pela via da expropriação de moradores no perímetro e obras civis de construção da infra-estrutura não seja abandonado a meio, estando em curso a sua “redefinição” e a procura de alternativas de financiamento.

A informação foi tornada pública à margem da primeira Conferência Internacional sobre Mobilidade, uma iniciativa do Ministério dos Transportes da República de Angola, que decorreu ontem no Hotel de Convenções de Talatona, em Luanda, sob o lema “Identificar Desafios, Procurar Soluções”. Segundo Jorge Bengui, director- geral do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários do Ministério dos Transportes, que respondia a uma questão colocada por um dos participantes, neste momento a BRT de Luanda, cujo traçado de 53 km previa ligar o bairro Estalagem (Viana) ao estádio 11 de Novembro (Belas), e, consequentemente, a Avenida Deolinda Rodrigues, está a ser avaliado em termos de prioridades, antes da tomada de decisão quanto a sua retomada. Jorge Bengui comentou que informações actualizadas parecem indicar que o traçado inicial não “coincide” com as rotas de maior tráfego e mobilidade de passageiros na capital do país, pelo que o projecto deve ser repensado em termos de prioridade.

A BRT de Luanda estava prevista para funcionar com uma frota de duzentos e 40 autocarros, sendo articulados, 50 biarticulados e cem alimentadores convencionais e previsão de transportar qualquer coisa como cinco mil passageiros/dia. O proponente definia o projecto como uma das etapas fundamentais para o processo de melhorias no transporte de passageiros em Luanda. Com o projecto estavam prometidos cerca de quatro mil empregos directos e indirectos, e na fase de operação, à volta de mil e quinhentos empregos permanentes. A área de influência da infrestrutura seria, nomeadamente, a cidade universitária e o estádio 11 de Novembro, e previa garantir um nível adequado de mobilidade à centralidade do Kilamba e beneficiar, directamente, as comunidades circunvizinhas, nomeadamente o Gamek, Cambamba, M’bondo, Chapéu, Camama, Bem-vindo, Nova Esperança, Mulenvos, Cambire, Wengi Maca e Bita Sapú.

A primeira Conferência Internacional sobre Mobilidade visou gerar soluções e promover estratégias de racionalização e sustentabilidade da rede de mobilidade nacional e contou com prelectores convidados vindos do estrangeiro, com destaque para a participação de Michael Peter, CEO Mundial da Siemens Mobility, José Moreira, director North & Middle Africa da Volvo Bus Corporation e Nadia Zubaida, especialista de Implementação do Programa Tripartido de Facilitação de Transporte e Trânsito (TTTFP) da SADC. O evento visou também a criação de uma plataforma potencializadora de sinergias que convirjam para um modelo de mobilidade mais sustentável, por meio de intervenções que remetam perspectivas progressistas. Foram tópicos temáticos em analise no evento a problemática da mobilidade urbana em Luanda, o impacto da mobilidade no processo de desconcentração de competências e o planeamento urbano, sem descurar a importância da tecnologia e automação para o presente e futuro da mobilidade.

O titular do pelouro dos transportes, Ricardo Viegas D’Abreu, na abertura do evento referiu que era com “muito orgulho, mas também com elevado sentido de responsabilidade, dada a importância estratégica do tema” que marcava presença no evento. “Estamos conscientes de que o tema da mobilidade urbana é incontornável se quisermos falar em desenvolvimento. Por isso, cientes da importância deste desafio, o Executivo criou, entre outros, o Plano Estratégico Nacional de Acessibilidades, Mobilidade e Transportes, um documento que traça as linhas mestras a seguir e os objectivos a atingir, no que diz respeito à rede de estradas e auto- estradas nacionais, ao sistema de ferrovias, à instalação de uma rede logística nos principais corredores para o desenvolvimento nacional, e todas as componentes de infra-estruturas associadas a esta temática”, referiu Ricardo D’Abreu no seu pronunciamento.

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