Digital made in Angola

Há dias em que mais valia não sair de casa. Uma parlamentar angolana teve um dia destes quando a Assembleia Nacional discutiu a conta do Estado de 2017. Por um azar qualquer, a senhora foi apanhada por uma câmara de televisão um pouco mais adiante que todos os outros mortais: a escrever um texto num computador em silêncio e sem tocar no teclado. Os dedos pairavam uns centímetros acima, embora se mexessem como se estivessem mesmo a escrever. Talvez ela estivesse a tentar não ser incomodada por alguém ao lado, não se sabe, mas protagonizou um fi lme de ficção científica, mostrou-nos o futuro próximo. Vamos lá chegar. Em breve. Qualquer pessoa que hoje tenha acima dos trinta anos de idade lembrar- se-á, de certeza, dos tempos da televisão sem comando, dos rádios com teclas do tamanho de um telemóvel de hoje, dos telefones de disco, etc., o mundo evoluiu, hoje está tudo mais facilitado, alguém sonhou, ousou, chegou-se à frente. E nós, em Angola, estamos prestes a protagonizar mais uma revolução, a da “escrita cerebral” por via térmica. Basta o calor dos dedos a alguns centímetros do teclado. Temos de registar a patente da criação da deputada a que um amigo meu, jornalista português, prefere chamar de “dama digital” (DD).