Carta do leitor: Mais humanismo por favor…

POR: José Rivungo, Zango

Ilustre director do O PAÍS, espero que esteja bem neste Domingo de trabalho ligado à escrita jornalística. Estou em Luanda em gozo de férias, aliás sou da província do Cuenene e pela minha idade, 22 anos, é a primeira vez que escalo a província de Luanda. Estou hospedado no Zango, município de Viana, em casa de um parente que cá vive por força daquele passado que Angola vivenciou e que prefiro remeter aos historiadores, a guerra. E viva a nossa paz. Cheguei ao Zango à noite, depois de uma viagem estafante de autocarro do Cunene para Luanda. É longe e com as nossas estradas todas em estado que dispensam comentários. No dia seguinte, levanteime e saí para dar uma volta e conhecer melhor a zona. Andei. Andei. Visitei muitos locais públicos, mas o que me chamou à atenção foi ver a forma como as pessoas vivem nas tendas e nos casebres de chapa de zinco. Vivem em condições sub-humanas. É deplorável, porque o Governo Provincial de Luanda (GPL), na Mutamba já passaram vários inquilinos, já devia ter resolvido este problema. Somos humanos. Sempre ouvi dizer nos órgãos de comunicação social que não havia condições para se resolver o problema. Até agora não acredito. Essas pessoas ou famílias viviam em zonas de risco e num contexto em que o país tinha muito dinheiro, não foi possível acautelar o assunto. Como é possível? A dimensão humana meus senhores. É triste ver aquilo no Zango. Gostaria que um alto dirigente estrangeiro visitasse o local. A bola não deve sobrar para o novo governador Sérgio Luther Rescova, ele deve dar continuidade ao processo.