Editorial: Chuva é sempre morte

Ao contrário do que deveria ser, em Luanda, e um pouco por Angola, chuva é sinónimo de morte. É um absurdo para um país que até se debate com os efeitos nocivos de uma longa estiagem, com milhares, ou talvez milhões de pessoas com a vida em risco. Deveria ser festa, a vinda das chuvas, mas não, é para preocupação e quase sempre para óbitos. Se não é da água que causa desabamentos, é das descargas eléctricas atmosféricas. Mas nos dois casos sabemos que a culpa não pode ser da chuva, é só do homem, que constrói no caminho da água, não desobstrui as passagens de águas com as valas de saneamento e também não coloca pára-raios nas zonas altas. Sim, entre nós chuva é sinónimo de denúncia. Da incapacidade angolana.