Ensino de línguas nacionais regressa ao Cunene

Após uma interrupção de seis anos, os alunos, a partir da iniciação tornarão a ter contacto com a línguas oshiwambo e nhaneka neste ano lectivo

O director da Educação na província do Cunene, Domingos de Oliveira, afirmou recentemente à Angop que neste ano lectivo será retomado o ensino de línguas nacionais nas classes da iniciação. Segundo o responsável, para tal, já foram disponibilizados cerca de 17 mil manuais nas línguas de Oshiwambo e Nhaneka e formados para este ensino, 124 professores, ao nível dos seis municípios da província. A medida visa promover que a criança tome contacto com as referidas línguas nacionais nos primeiros anos de escolaridade. Sobre o assunto, importa realçar que o aprendizado de línguas nacionais no Cunene teve início em 2007, com as línguas oshiwambo e nhaneka-humbi mas veio a ser interrompido em 2013, por falta de manuais.

Importa realçar que o professor auxiliar de língua e literatura portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, Manuel da Silva Domingos ´Russo´, numa entrevista ao jornal OPAÍS, por ocasião da celebração do Dia da Língua Materna, esclareceu que a língua materna de cada cidadão tem a ver com aquela que o sujeito falante faz uso nos primeiros contactos sociais. “Por isso, não se trata apenas de ser uma língua nacional, nem da língua da mãe e, muito menos, da de origem, como se acha propalado por aí”, detalhou o professor Russo, como é tratado no seio académico.

Segundo ele, a língua materna difere também da nacional pelo ponto de vista técnico-científico, já que, nesse contexto, é classificada quanto à aquisição. Por seu turno, conforme avançou em seguida, o idioma nacional é avaliado do ponto de vista estatutário como o que cobre uma determinada área geográfica, ao ponto de, na maior parte dos casos, representar uma etnia. Falantes divididos em língua materna, uma boa parte dos entrevistados de OPAÍS chegou mesmo a confundir língua materna com o idioma regional falado na localidade onde nasceram eles próprios ou os seus pais. Em alguns casos, a língua coincidia com a que ele aprendeu a falar primeiro e a das origens de seus pais. Nessa vertente, o docente universitário, abre as tendências de classificação de língua primeira e regional, que, por sinal, tornam mais lógica a primeira e a segunda. A inclusão do ensino das línguas nacionais Ensino das línguas nacionais em Angola assenta na Lei de base do Sistema de Educação nº13/01,reforçado pelo Decreto Presidencial nº82/01 de 31 de Dezembro.

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