Executivo da Huawei diz que comentários recentes de Trump sobre 5G são “claros e correctos”

O presidente do Conselho de Administração da Huawei Technologies, disse que a afirmação do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos precisavam de avançar em comunicações móveis por meio da concorrência, em vez de tentar bloquear a tecnologia, estava “clara e correta”

Os comentários de Trump via Twitter na Quinta-feira não citaram especificamente a companhia chinesa, que está no centro de um debate envolvendo ciber-segurança, mas podem ser vistos como atenuando a oposição do governo norte- americano ao grupo fornecedor de equipamentos de tele-comunicações. “Eu anotei o Twitter do presidente, ele disse que os EUA precisam de 5G mais rápido e inteligente, ou mesmo 6G no futuro, porque percebeu que os EUA estão a ficar para trás em relação a isso, e acho que a sua mensagem é clara e correcta”, afirmou Guo Ping por meio de intérpretes de vários países antes do maior evento global da indústria de telecomunicações, em Barcelona.

Guo disse que a Huawei, maior fabricante de equipamentos de rede do mundo, será o foco das atenções no evento, que começa oficialmente na Segunda-feira. A companhia envolveu-se no impasse entre os Estados Unidos e a China sobre segurança de rede para a próxima geração de serviços móveis, com o governo de Donald Trump, dizendo que a Huawei geria permitido espionagem por parte da China. Guo, que ocupa a presidência rotativa do conselho de administração, afirmou que a companhia nunca permitiria que qualquer país inserisse “backdoors” no seu equipamento, repetindo afirmações já feitas anteriormente. Acrescentou que todas as partes – fabricantes de equipamentos, operadoras de rede e governos – precisavam de trabalhar juntas, para criar padrões confiáveis para gerenciar riscos de ciber-segurança.

A questão, a seu ver, não deve ser decidida por política. “Nós precisamos de ter um padrão unificado que seja verificável”, disse o executivo. Questionado sobre se o governo chinês tem participação na Huawei, Guo afirmou que a companhia era 100 por cento detida pelos seus funcionários antigos e actuais. Sobre o risco de Trump emitir uma ordem executiva barrando a Huawei dos Estados Unidos, ele afirmou: “não é necessário e não deveria ser emitida”. Ele alertou que uma medida dessa natureza prejudicaria o pequeno número de clientes da Huawei nos Estados Unidos.