Vamos ver a quem caberá

Desta vez teremos um novo palavreado em torno do quatro de Abril, Dia da Paz. É inevitável. Vai mudar o guião e os personagens. Ou, pelo menos, o argumento. Quero ver este filme. Ao longo de anos, José Eduardo dos Santos foi o actor principal, interpretando o seu próprio personagem. Era o Arquitecto da Paz e, como tal, o fará e iniciador da democracia. O lançador das bases para o desenvolvimento. E mais, teve até o gesto de firmar um Governo de Unidade e Reconciliação Nacional quando tinha tudo para impor a sua vontade e a sua imagem ao país. Portanto, o homem sacrificou a vaidade de vencedor e resistiu à tentação de reinar sozinho sobras as carcaças dos inimigos vencidos, pensando no futuro, pensando no país. A super-produção do MPLA, neste aspecto, foi sempre altamente profissional e inatacável. Agora só quero ver o que seria dito na comemoração da Paz, a quem será atribuído o mérito do presente que vivemos sem tiros e sem medo. Agora que o legado de Eduardo dos Santos é vilipendiado e a sua imagem atacada, a quem será atribuído o mérito? Ou o Dia da Paz conhecerá pela primeira vez a indiferença do MPLA?

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