Gafes e a mania de não falar

Há momentos, naturalmente, em que é preciso pesar as palavras, em que é preciso dizer palavras que suscitem várias interpretações, que sirvam para dizer mais do que aquilo que o seu som carrega. Nestes casos é aceitável que o discurso seja escrito. E se forem palavras de compromisso, melhor ainda. Mas há casos, palavras de circunstância, meros cumprimentos, em que a leitura fica mal, dá a impressão de insegurança. Isso mesmo ficou patente na aula magna do professor Marcelo Rebelo de Sousa na Faculdade de Direito, ontem, quando as palavras de cortesia, de boas vindas, do decano foram lidas. Triste. Já a ministra Maria do Rosário Bragança Sambo esteve como deve ser, com um discurso mais natural, mais sincero por isso mesmo, solto, sem precisar de papelada para falar por dois minutos. Aliás, um dos males do hábito da leitura “obrigatória” é que nem toda a gente sabe ler como deve ser, de forma a dar vida e sentido ao discurso. Contudo, e Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de o corrigir, logo no início, gafe mesmo foi o facto de o mestre de cerimónia se ter referido a entidades angolanas presentes no anfiteatro e não se ter referido explicitamente ao ministro Português dos Negócios Estrangeiros, nem ao ministro-adjunto da Economia, português também.

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