Manuel Mateus: ‘Angola não tem estrutura legal para atrair financiamento na investigação científica’

O investigador angolano da universidade de Ulster, Irlanda do Norte, Manuel Mateus Webba da Silva, afirmou ontem que a investigação científica no país carece de capacidade técnica e estrutura legal que facilitem a que as instituições estrangeiras depositem dinheiro

O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) recebeu ontem, 6 de Março, em visita de cortesia, o investigador angolano da universidade de Ulster, Irlanda do Norte, professor doutor Manuel Mateus Webba da Silva, com o objectivo de estabelecer um plano de acção para cooperação entre instituições de investigação científica angolanas e congéneres do Reino Unido. Sobre as investigações feitas no país, considerou que há alguns grupos que fazem investigação contínua, os que têm uma certa capacidade de se tornarem mais competitivos, principalmente na área de saúde pública, com maior realce nos estudos biométricos.

No seu entender, demonstra-se falta de capacidade técnica. Os investigadores de fora, ou seja doutros países, têm este aspecto bem desenvolvido, enquanto o nosso país anda a passos de camaleão. Outra dificuldade é a falta de uma estrutura legal para receber financiamento de outros países. “Angola não demonstra a existência de uma estrutura legal, madura suficientemente, de modo a que as instituições estrangeiras possam injectar dinheiro para a realização de investigação científica”, disse, Mateus Webba da Silva. Segundo o investigador e professor, nenhum país se desenvolve apenas por si só, pelo que há muitas instituições internacionais que continuam analisando se Angola tem capacidade legal e financeira, bem como se as estruturas funcionam na normalidade. Contou que o país perde muitas oportunidades para o desenvolvimento de certos trabalhos em que se fazem o desenvolvimento de meios para diagnosticar vectores patogénicos como o da malária, ébola, marburgo entre outros. “O país não tem infra-estrutura jurídica que permita a realização destes estudos”, acrescentou.

Precisamos de nos organizar internamente

Mateus Webba da Silva defende que para a estrutura não se precisa de dinheiro de fora, “penso que somos nós que temos que nos organizar, e as pessoas que trabalham nesta área devem receber os salários pagos em Angola. Os licenciados devem se especializar em diferentes áreas”. Acrescentou ainda que tudo depende da organização, já foi informado a nível do MESCTI e está em curso este processo. Por agora, a intensão de investigação com base em conhecimento técnico é pouca, e, nos últimos anos, os autores que têm produzido este trabalho não o fazem em Angola. “Particularmente, gostaria de ver o país a trazer mais parcerias, fazer com que as infra-estruturas sejam feitas em Angola, o dinheiro que é aplicado em graduações, doutoramentos, licenciaturas seja gasto no país. De modos a manter a infra-estrutura técnica”, frisou, Mateus Webba da Silva.

O investigador é de opinião que haja em grande proporção bolsas de sistema sandwich, onde o cidadão pode estudar e trabalhar na sua província e criar meios para a ciência, de forma a que poupe o dinheiro que vai para fora e aplique em infra-estruturas na sua província. O Professor Doutor Manuel Mateus Webba da Silva é investigador angolano licenciado em química pela Universidade Agostinho Neto e lidera um dos sete grupos do Instituto de Investigação Científica em Ciências Biomédicas (BMSRI) da Irlanda do Norte. Foi condecorado pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, com a Medalha de Bravura e do Mérito Cívico e Social no dia 10 de Novembro de 2018.

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