Maria Celestina Fernandes apresenta “Kambas Para Sempre” no auditório Pepetela em Luanda

O livro, reeditado pela Caxinde Editores e Livreiros, tem ilustrações do artista plástico Paulo Kussy e será apresentado Terça-feira, 12, no Camões – Centro Cultural Português

O auditório Pepetela – Centro Cultural Português, volta a acolher a sessão do lançamento e assinatura da obra “Kambas Para Sempre”, da escritora, Maria Celestina Fernandes. O livro ilustrado com desenhos do artista plástico Paulo Kussy tem 24 páginas, narra a história de Lueji, uma menina afrodescendente, com “nome de Rainha das Lundas, Angola, nascida no Brasil, filha de pai negro e mãe branca, fruto do amor misturado das duas raças”. Conta-se que o seu pai, nascido em Angola, contava histórias dos barcos negreiros que partiam da sua terra carregados de escravos com destino ao Brasil”.

Porém, foi a sua avó Francisca, vovó Cisca como carinhosamente a tratava, que começou a contar-lhe histórias da sua origem africana, que o professor desenvolvia depois na Escola. Dizia-lhe a vovó Cisca que os seus avós narravam histórias daquelas trágicas travessias. Os negros eram lançados sem dó nem piedade para o porão, e ali comiam e faziam as suas necessidades. Os que não aguentavam, morriam e eram atirados para o fundo do mar. Um horror!”. Vovó Cisca dizia também que, apesar daquelas histórias pertencerem ao passado, continuava ainda a haver muita discriminação racial. Lueji lamentava sentir-se, por vezes, rejeitada.

“Havia dias em que me sentia mesmo mal na minha pele escura e chorava. Incrivelmente, até já me tinham arranhado o braço para des- O livro, reeditado pela Caxinde Editores e Livreiros, tem ilustrações do artista plástico Paulo Kussy e será apresentado Terça-feira, 12, no Camões – Centro Cultural Português grudar o chocolate que me coloria”. Lueji recorda que a amiga Ana tinha-lhe lambido a bochecha para ver se sabia a chocolate. A réplica não tardou por parte de Lueji, que decidiu lamber a bochecha de Ana para ver se tinha açúcar. No final, as duas amigas acabaram aos beijos e abraços, rindo e cantando. Vovó Cisca, com a sabedoria que só a idade confere, fez recomendações e deixou conselhos: “Assim é que deveria ser sempre. Diferentes, mas todos igualmente seres humanos, filhos da mesma Terra. Amor e aceitação entre todos é do que precisamos”. Abordada esta Quartafeira por OPAÍS, a escritora garantiu que para a sessão de apresentação do livro estarão disponíveis exemplares suficientes para todos os leitores quantos ao Centro Cultural Português se deslocarem. A obra “Kambas Para Sempre” teve uma reedição de mil e quinhentos exemplares, a serem distribuídos pela referida editora.

Percurso da autora

Maria Celestina Fernandes nasceu na cidade do Lubango, província da Huíla, mas cresceu e reside em Luanda. Assistente Social e Licenciada em Direito, é autora de várias obras em prosa e poesia, com destaque para a literatura infantil e juvenil. Tem participado em várias antologias e encontros nacionais e internacionais. Recebeu vários prémios e nomeações e tem a sua obra traduzida em várias línguas. O Ministério da Cultura outorgou- lhe o Diploma de Mérito pelo seu contributo para a Cultura Nacional.

O ilustrador

Paulo Kussy nasceu em Luanda. O seu fascínio pelo desenho e pintura despertou muito precocemente, desde o ensino primário. Em Portugal completou o ensino secundário e licenciou- se em Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde, posteriormente, concluiu o Mestrado em Anatomia Artística. Para além do seu percurso artístico, é também professor de Artes Plásticas, Desenho e Geometria Descritiva. Actualmente exerce o cargo de director nacional de Formação Artística do Ministério da Cultura de Angola.

leave a reply

error: Conteúdo Protegido!