Presidente de Portugal visita Benguela e anda à boleia do CFB

Políticos consideram histórica a vinda a Benguela do Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa a Benguela, numa altura em que se normalizam as relações bilaterais, depois do “irritante”, mas pedem mais investimento português

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

No quadro da visita de 4 dias a Angola, país ao qual regressa um ano e meio depois, o Chefe de Estado português reservou na sua agenda deslocações a duas províncias, sendo uma a Huíla e outra a Benguela. Em Benguela, Marcelo Rebelo de Sousa vai ao Porto Comercial do Lobito, e aos Caminhos de Ferro de Benguela, ocasião que será aproveitada para as direcções das empresas apresentarem as potencialidades dos dois empreendimentos tidos como dos maiores em África. Os políticos dizem que, por questões históricas, era expectável que os portugueses dominassem o mercado angolano, no geral, e Benguelense, em particular, mas isto não ocorre, porque os investimentos deles ficam muito aquém do desejado.

O deputado Alberto Ngalanelã, secretário da UNITA em Benguela, associa a visita de Marcelo às potencialidades económicas de uma província que considera estratégica para economia de Angola. O político justifica que Benguela tem empreendimentos de “grande peso” não só para o país, mas também para a região da SADC, apontando como exemplos os caminhos-de-ferro e o porto, dois “monstros” da economia. “Temos aí uma grande potencialidade do ponto de vista pesqueiro. Todo aquele corredor do litoral de Benguela. Mesmo do ponto de vista turístico. Os portugueses têm empresas que operam em Benguela”, disse. Alberto Ngalanelã considera o investimento luso em Angola como “residual”, tendo em conta as relações de Angola com Portugal, que datam de há séculos.

“De todos os países que investem em Benguela, Portugal devia ter um grande peso”, a julgar pelos laços que unem os dois países da lusofonia, realçando que o ambiente económico em Benguela “não é lá muito atraente”. A inacessibilidade de divisas para suportar custos operacionais das empresas estrangeiras, sobretudo lusas, afugenta, de certa medida, o interesse de outros portugueses, segundo ainda o político da UNITA. Por sua vez, o secretário provincial da CASA-CE, Zeferino Kuvíngua, disse que durante anos Angola não oferecia um ambiente de negócios capaz de atrair investidores estrangeiros. Actualmente, considera estarem já ultrapassados tais constrangimentos, em função de novas estratégias que estão a ser adoptadas. “O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa vem a Benguela para mostrar que os portugueses estão interessados em investir”, diz o novo secretário desta coligação, que substituiu Francisco Viena no cargo.

Assim como Ngalanelã, Cuvíngua diz igualmente que o investimento português fica muito aquém, acreditando que o cenário tende a mudar consideravelmente. De acordo com fontes do Governo Provincial de Benguela, o Presidente português chega a Benguela às 17 H00 desta Quinta-feira, vindo do Lubango, capital da província da Huíla, e procede ao encerramento do Fórum empresarial Angola- Portugal, no Palácio do Governador. Amanhã, Sexta-feira, 8, faz uma viagem de comboio do Lobito a Catumbela, num percurso de 17 quilómetros, e, depois, tem um jantar a bordo de uma fragata portuguesa que se encontra já nos mares de Benguela. Segundo apurámos, Marcelo Rebelo de Sousa fica hospedado no hotel CASA ROSA, unidade hoteleira afecta à Sonangol, na Restinga, na cidade ferro-portuária do Lobito.

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