Amarrados

Amarrados

A forma como João Lourenço e Marcelo Rebelo de Sousa jogam a cartada da amizade entre os dois Estados e da amizade pessoal tem muito de afecto e tem muito de política também, assim como de risco. Para dois homens que se irão recandidatar ao cargo de Presidente dos respectivos países, a intensidade que imprimem na relação, sabendo-se da facilidade com que costumam a surgir os “irritantes” de parte a parte, das paixões e incompreensões políticas de parte a parte, das influência dos ventos económicos, certamente que depois da visita de Marcelo a Angola cuidarão desta relação com muito mais cuidado. E isto é bom para os dois povos. Lourenço sabe que precisa do apoio português na sua relação com a Europa, principalmente na questão diplomática e na busca por investimento. Lourenço sabe que precisa de empresas portuguesas para criar empregos em Angola, mas sabe que terá de enfrentar resistências se abrir demasiado a porta. Marcelo sabe da judicialização portuguesa da relação entre os dois países, sabe dos efeitos económicos se Angola representar perdas para as empresas portuguesas e sabe do amuo angolano a algum tipo de liberdade de imprensa em Portugal. E também das repercussões deste amuo no seu país. Estão obrigados a evitar makas, mas também a satisfazer interesses empresariais e políticos. Como diria o povo: “se amarraram”.