Carta do leitor: Propinas na Pública?

POR: Abrão Ekundi, Lubango

Ilustre director do jornal o PAÍS, agradeço a oportunidade que me dá e espero que o espaço em questão se mantenha. no mês passado, em conversa com alguns amigos na cidade do Lubango, província da Huíla, um deles disse que no próximo ano as unidades orgânicas da universidade Agostinho neto (uAn) e outras vão passar a cobrar propinas. não sei se a medida já foi aprovada pelo Executivo encabeçado pelo Presidente João Lourenço, pois, acho que é um assunto que delicado. As medidas devem adaptar-se à realidade, uma vez que o acesso a universidade pública ou privada no seio de muitas famílias tem sido uma luta titânica. o Ministério do Ensino Superior já mesmo um estudo para aferir se a sua proposta tem pernas para andar? o acesso ao ensino vai, se esta medida for aprovada sem se pensar nas condições sociais das famílias, elitizar-se e uma vez mais Angola vai atrasar-se. Sabe-se que o Estado tem fins e funções, logo Angola não deve fugir à regra, porque defende princípios constitucionais consubstanciados no Estado democrático e de direito. Porém, deve ou não o Executivo responsabilizar-se sobre o Ensino Superior em Angola? não se responsabilizando, deve, até a exaustão, explicar-se melhor perante os cidadãos. Penso que o Ministério do Ensino Superior está muito apressado em agradar, mas é preciso saber que com calma se atingem os objectivos. A realidade mostra que os filhos de dirigentes, poucos, estudam em Angola, até são livres de escolherem onde estudarem. Mas, uma coisa é certa, é que esses bem ou mal têm condições sociais e financeiras diferentes das de muitos que diariamente lutam para conseguir um pão. Se não há emprego condigno, como é que um pai vai ter condições de pagar a faculdade do filho? Pode até ter formação, mas está difícil, no entanto cobre-se a quem? o Ministério do Ensino Superior ainda tem tempo de analisar melhor esse processo “romântico” das propinas nas faculdades públicas e espero que ainda não esteja a repousar no gabinete do Presidente da República, João Lourenço.

error: Content is protected !!