Empresários defendem que Portugal pode ajudar na diversificação económica do país

Na Quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa esteve no Lubango, Huíla, e em Benguela, onde participou no Fórum de negócios no segundo pólo de desenvolvimento do país. Para empresários, é uma boa oportunidade para que os investidores portugueses participem na diversifi cação da economia angolana

Desde o passado dia 05 de Março em Angola, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, foi a figura de destaque no Fórum de Negócios Angola-Portugal, que aconteceu ontem na cidade de Benguela. A presença do estadista é, para muitos, um incentivo ao empresariado português no sentido de investirem mais em Angola e fora de Luanda. A província de Benguela, o segundo pólo de desenvolvimento do país, e com infraestruturas integradas nos transportes é a escolhida. Presidente da Câmara de Comércio de Benguela, Carlos Vasconcelos entende que a realização do Fórum Económico Angola/ Portugal, em Benguela, constituiu uma ocasião para se falar da diversificação económica com a presença do Presidente português.

“Portugal pode ajudar Angola na diversificação da sua economia. E é disso que falamos”, adiantou, Carlos Vasconcelos, para quem a cooperação com Portugal deve ser reforçada. “Precisamos de estar mais próximos. Temos muito para oferecer a Portugal, no domínio das pescas, do turismo, da agricultura e do comércio. Benguela é uma província que está entre o interior e o litoral. É uma potência”, afirmou. Entretanto, o que preocupa o também empresário é a falta de supressão de vistos, facto que, segundo ele, impede a realização de pequenos negócios entre angolanos e portugueses. “Não podemos continuar a viver com barreiras. Sabemos que Portugal faz parte da comunidade europeia e, por isso, sujeita- se a algumas medidas comunitárias, mas pode haver excepção. Aliás, é o que acontece em relação à África do Sul. O mesmo devia acontecer com Angola”, defendeu.

Com a realização do Fórum de Benguela, onde estiveram perto de 400 empresários, incluindo os de Luanda, Huíla e Huambo, o responsável associativo disse que “foi uma boa oportunidade para fazermos uma análise profunda dos resultados do Fórum realizado em 2010, na cidade do Lobito, e que juntou angolanos e portugueses”. “Os fóruns económicos não são simples reuniões. Visam a atracção de investimentos. Então precisamos aferir sempre os resultados da edição anterior, no sentido de sabermos o que correu mal e o que precisa ser feito doravante”, disse. Carlos Vasconcelos entende que muitas empresas que operam em Portugal e que não têm mercado podem transferir-se para Angola, no sentido de criar novos postos de emprego no país, não descartando, por exemplo, a possibilidade de serem adquiridas por nacionais.

Para Filomena Oliveira, empresária e vice-presidente da Confederação Empresarial de Angola, “Portugal tem potencial para ajudar no processo de diversificação económica do país, apostando na produção e exportação de sal, nas pescas e no turismo, isso em Benguela”, citou. Em relação à Huíla, cita o caso dos recursos no sector mineral, tendo sublinhado as potencialidades nas rochas ornamentais, assim como a facilidade que existe para a saída para o mar dada a proximidade que existe entre as províncias da Huíla e do Namibe, esta última no litoral Sul. “Além da comunidade portuguesa existente nas duas províncias (Benguela e Huíla), elas possuem potencialidades que não são ignoradas pelos portugueses. E mais: as duas possuem Caminhos-de-ferro que as ligam ao interior, além de outras infraestruturas”, disse, a também representante da Associação Agropecuária, Comercial e Industrial da Huíla.

Alguns interesses em Angola

Construção civil, restauração e serviços são os principais nichos de negócios dos portugueses em Angola, sem colocar de parte o comércio. Luanda, Benguela, Huíla, Huambo e Cabinda são algumas províncias do país onde se regista uma grande presença de cidadãos envolvidos em negócios. Teixeira Duarte, Mota-Engil, Griner são algumas empresas portuguesas de referência que actuam no sector da construção civil em Angola, ao passo que a Angonabeiro e RiberAlves estão viradas para o comércio. Importa referir que o Fórum de Benguela é o segundo, pois, em 2010, a província acolheu um evento semelhante, e que contou com a presença de Anibal Cavaco Silva, e teve lugar na cidade portuária do Lobito. 340 empresários fizeram parte do referido fórum.

error: Content is protected !!