APN quer formar “Bloco compacto” com a Oposição para ganhar autarquias

Depois do fracasso nas eleições gerais de 2017, nas quais obteve apenas 33 437 votos, a Aliança Patriótica Nacional(APN) quer uma frente unida com os demais partidos da Oposição para vencer as eleições autárquicas em 2020 e concorrerem folgadamente nas eleições gerais de 2022

POR: João Katombela, na Huíla

A ideia foi dada a conhecer ontem, na cidade do Lubango (Huíla), pelo seu presidente, Quintino Moreira, que está a realizar um périplo pelas províncias do Sul do país, tendo visitado já a do Namibe, em viagem que o levou também ao Cunene. Para concretizar este objectivo, foram já feitos contactos com as direcções dos partidos UNITA e PRS, mas evitou avançar mais pormenores sobre o assunto.

“A Aliança Patriótica Nacional tomou a iniciativa de contactar todos os partidos legalmente constituídos no país para que possamos reflectir sobre a necessidade da criação de um bloco compacto para podermos concorrer juntos nas eleições autárquicas”, disse. O objectivo é o de obter mais votos para a Oposição e torná-la mais forte do ponto de vista competitivo e ter bons resultados durante as eleições autárquicas. “Nós pensamos que se a Oposição estiver unida teremos mais vantagens do que desvantagens”, assegurou o político e líder do único partido extraparlamentar saído das eleições gerais de 2017.

Gradualismo

Entretanto, para a realização de eleições autárquicas, Quintino Moreira reiterou que o seu partido defende o modelo universal e não o gradualismo geográfico defendido pelo MPLA, partido que governa. “A Aliança Patriótica Nacional pretende que as eleições autárquicas sejam universais, para que haja igualdade de tratamento para todos os municípios, para respeitarmos o preceituado na Constituição sobre igualdade de direitos”, justificou. Para o político, os municípios que forem convertidos em autarquias poderão alcançar um outro nível de desenvolvimento em todos os sectores da vida, com destaque para o sector social. Quintino Moreira explicou que, a ser assim, muitos angolanos que habitarem nos municípios menos desenvolvidos poderão abandonálos e ir para os mais desenvolvidos à procura de melhores condições de vida. “Um fenómeno que vamos observar, se de facto prevalecer o gradualismo requerido pelo partido governante, vamos ver cidadãos a migrarem dos municípios onde não se vão realizar eleições autárquicas para aqueles onde se vão realizar”, concluiu.

O Pais

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