Exposição de Kiluanji Kia Henda mostra Luanda e suas transformações pela via da lente objectiva

A lente é similar ao que em literatura é designado narrador omnisciente, o que, de forma simplifi cada resume-se naquele que conhece a história, olhando para um presente-passado

“Concreto Blues”, a mais nova proposta criativa do artista Kiluanji Kia Henda, entra hoje no seu décimo terceiro dia com novas visitas, de diferentes faixas-etárias, na Galeria Jahmek Contemporary Art, no bairro dos Coqueiros, em Luanda. A mostra é constituída por várias fotografias e tem a curadoria de Suzana Sousa, foi inaugurada no passado dia 28 de Fevereiro e poderá ser visitada até 20 de Abril. Nesta prestigiada exposição, Kiluanji Kia Henda dá-nos a mão mostrando-nos Luanda por uma lente que nos obriga a um olhar novo, que também leva-nos a resituar num espaço simultaneamente familiar e estranho.

A lente é similar ao que em literatura é designado narrador omnisciente, que, de forma simplificada, resume-se naquele que conhece a história, olhando para um presente-passado. Uma Luanda que se transforma e vem se transformando nos últimos 15 anos. Uma transformação a que todos assistimos com alguma esperança, mas que vivemos todos com o dissabor de saber, ainda que nem sempre com vontade de ver, os seus mecanismos de exclusão e privilégio, os seus restos, humanos e não-humanos.

O artista

Kiluanji Kia Henda, nascido em 1979, em Luanda, vive e trabalha nesta cidade. O seu interesse pelas artes visuais surge por ter crescido num meio de entusiastas da fotografi a. A ligação com a música e o teatro de vanguarda fizeram parte da sua formação conceptual, tal como a colaboração com colectivos de artistas em Luanda.

A arte

No seu dia-a-dia, Kiluanji Kia Henda usa frequentemente a arte como método para transmitir e forjar a história. Mais do que reunir as peças de um enigma complexo de diferentes episódios históricos, explora a fotografia, o vídeo, a performance, a instalação e a escultura para materializar narrativas fictícias e deslocar os factos para diferentes temporalidades e contextos. Usando humor e ironia, Kiluanji convoca questões como identidade, política, percepções de pós-colonial e modernismo no Continente Africano. Trabalhando frequentemente numa desviada cumplicidade com o legado histórico, Kiluanji vê no processo de apropriação e manipulação dos espaços e estruturas públicas e nas diferentes representações que fazem parte da memória colectiva, um aspecto relevante da sua construção estética.

A galeria

A Jahmek Contemporary Art apresenta-se como uma Plataforma/ Galeria que, através do seu programa de exposições, propõe-se promover o diálogo e o pensamento crítico em torno da expressão artística visual de Luanda, através do trabalho produzido pelos artistas que representa, tanto no panorama nacional como além-fronteiras.A galeria, sediada em Luanda, é representada pelos artistas Délio Jasse, Iris Buchholz, Kiluanji Kia Henda, Nástio Mosquito, Tiago Borges e Yonamine.

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