Carta do leitor: Tumultos e problemas enterrados…

Caro director do jornal O PÁIS, hoje é mais um dia de trabalho envolto em muita correria devido à dinâmica social, ainda assim, espero que esteja bem. Como morador do rocha Pinto, próximo do local onde aconteceram os tumultos entre cidadãos e agentes da Polícia Nacional que resultou na morte de uma zungueira, em Luanda, tive a necessidade de escrever para o vosso espaço.

Sou estudante de Sociologia, uma ciência que ajuda a compreender os fenómenos sociais. A Polícia Nacional e o Exército são os únicos órgãos, no ordenamento jurídico angolano, que têm o direito de fazer o uso legítimo da força em circunstâncias próprias, respeitando as leis vigentes.

De um tempo a esta parte, a Polícia Nacional tem usado mal os meios que tem à sua disposição para manter a ordem e a tranquilidade pública. É chegado o momento deste aparelho do Estado mudar a sua forma de actuar, bem como lidar com os cidadãos na via pública.

Já se sabe que o país anda mergulhado numa crise de valores, financeira e económica, e que a meta do Executivo liderado por João Lourenço é melhorar. Mas, é ponto assente que as discrepâncias salariais entre os agentes e os superiores e outros sectores públicos da sociedade é abismal.

Esta exclcusão social, política e económica em relação ao agente descamba para o seu campo de acção, o cidadão na via pública. Por isso, peço ao Presidente da república para analisar esse fenómeno o mais breve possível. Porque não se entende.

O agente patrulha, por exemplo, nas cercanias do supermecado Kandando ou Belas Shopping, mas não tem capacidade de levar lá os seus para “chupar” um gelado, porque ganha mal.

Com a zungueira também acontece o mesmo, que Deus a tenha, é um facto, porque são segmentos da sociedade que revelam a miséria em que o nosso país está mergulhado, ao contráro de um grupo de pessoas que continuam na melhor.

Podem deter ou prender o agente que praticou tal acto no rocha Pinto, mas saibam que se não atacarem as raízes do problema, o mesmo fenómeno vai continuar e estamos num tempo em que a força deve ser o último recurso num Estado democrático e de direito.

Manuel A. D. ngola