Contabilistas podem jogar papel decisivo no combate à corrupção

O combate à corrupção em curso no país terá outro impulso quando os contabilistas de Angola fizerem parte do processo, como defende o presidente da referida organização, Fernando Hermes. Sublinhando que é na contabilidade onde tudo começa

Desde a chegada ao poder do actual Executivo, em 2017, estão a ser implementadas medidas macroeconómicas consubstanciadas no combate à corrupção e outras práticas que prejudicam o nome do país. Para Fernando Hermes, trata-se de uma boa fase, reconhecendo, no entanto, que os desafios são grandes, uma vez que “a contabilidade caminha de mãos dadas com o desenvolvimento económico. Durante os anos passados, e muitos de nós sabemos por que razão, a contabilidade foi levada para baixo”, afirmou, sublinhando que “os contabilistas jogam um papel preponderante no combate à corrupção, pois os factos económicos traduzidos por eles ocorrem nas famílias, nas empresas, enfim, na sociedade.

É também aí que acontecem os actos de corrupção”, lembrou. Para ele, os contabilistas podem ser os grandes soldados na luta contra a corrupção, afirmando mesmo que “não há melhor maneira de combater este fenómeno do que a parceria com os contabilistas e auditores na primeira linha”. Continuou dizendo que “o suborno e a corrupção são grandes ameaças para os contabilistas. No entanto, o profissionalismo dos contabilistas é fundamental. Eles também estão nesta sociedade onde estamos, mas têm um código de ética”, disse, realçando que a contabilidade ocorre em todos os níveis da economia, sendo por isso preponderante no desenvolvimento económico.

Contabilistas de fora

A Ordem dos Contabilista e Peritos Contabilistas de Angola conta já com 4702 associados, no entanto, o número não representa todos os contabilistas nacionais. Muitos ainda estão de fora. Sobre o assunto, Fernando Hermes não demora a responder: “O acesso é feito por via de exames. Entretanto, foram admitidos de forma directa todos os profissionais que exerciam a profissão cinco anos antes da entrada em funções da Ordem, que foi eleita em 2014 e começou a trabalhar no ano seguinte. O processo começou por via do Decreto Presidencial de 2010”, explicou. Refere que os inscritos sem exames já estavam acreditados pelo Ministério das Finanças.

No entanto, acautela que “só deverão exercer essa profissão aqueles que estiverem inscritos na Ordem. Um profissional que assine documentos contabilísticos ou de certificação de contabilidade sem estar inscrito estará a incorrer numa ilegalidade”, acautelou. Aos profissionais estrangeiros, avança, é permitido o exercício da contabilidade em Angola, desde que haja o princípio da reciprocidade por parte dos países de que são oriundos. “Nos casos de países onde os angolanos legais não podem exercer, nós também não permitimos aos cidadãos do país em causa que trabalhem em Angola”, disse.

Ressalva que na primeira fase foram admitidos, com alguma “sorte”, os estrangeiros que estão inscritos na base de dados do Ministério das Finanças, estando estes em condições legais para trabalhar, uma vez que são residentes em Angola. “Não é legal que alguém chegue hoje ao país e comece a trabalhar como contabilista. Temos denúncias de alguns casos, mas o que parece ocorrer são contratos celebrados entre empresas públicas e privadas que recorrem a consultoria. Portanto, são empresas internacionais que depois fixam-se no país com o mesmo nome internacional ”, explica. A entrevista completa foi difundida pela Rádio Mais do Grupo Media Nova.