Polícia admite que agente matou zungueira injustamente

No confronto de Terça-feira fi caram gravemente feridos com disparos de arma de fogo outros cinco cidadãos, que se encontram a receber cuidados numa unidade hospital de Luanda. A PN pediu desculpas à família da malograda e à sociedade em geral pelo que se passou no rocha Pinto

A Polícia Nacional (PN) admitiu ontem, em Luanda, que não existe nada que justifique a atitude do agente que disparou mortalmente contra uma zungueira na Avenida 21 de Janeiro, no bairro Rocha Pinto, na Terça-feira, 12. Em conferência de imprensa realizada ontem no Comando Provincial, Mateus Rodrigues, porta-voz da corporação em Luanda, disse que “não há nada que justifique que um efectivo devidamente preparado dispare indiscriminadamente contra um cidadão”. O intendente Mateus Rodrigues referiu que existem fortes indícios da não observação dos princípios de actuação policial e excesso de uso da força dos agentes envolvidos.

Questionado sobre as razões que levam a PN a combater a venda ambulante com recurso a armas de fogo, Mateus Rodrigues justificou que em alguns casos há insurreição contra as autoridades, evoluindo posteriormente para um caso de segurança pública. A PN admite que o tumulto do Rocha Pinto foi originado pelo disparo do agente, tendo originado o sentimento de revolta da população que ficou abalada pelo facto de a vítima não ter sido socorrida para um hospital de pois do disparo.A PN diz que os resultados ainda são provisórios, apontando a existência de outros cinco cidadãos que foram também atingidos com disparos e se encontram feridos com gravidade numa unidade hospitalar.

No confronto, três agentes da corporação ficaram igualmente feridos, e registaram-se danos avultados em três viaturas de patrulha, viaturas de transeuntes e outros danos em bens públicos na administração local. Mateus Rodrigues descreveu o ambiente “hostil” vivido no local e referiu o uso de gaz lacrimogénio, gaz pimenta e água quente, tendo acrescentado que o envolvimento das unidade anti-terrorismo e antí-distúbio demostra o esforço feito pela corporação para manter a ordem no Rocha Pinto. O porta-voz pediu desculpas à família enlutada e à população em geral em nome da PN e do Ministério do Interior, finalizando que o agente em causa está sujeito a um processo disciplinar, demissão da corporação e um processo criminal militar que pode resultar em prisão.

Outros casos

Em Dezembro do ano passado houve um duplo homicídio em Viana, em que um agente disparou mortalmente contra uma mulher e sua fiha. O trágico episódio terá sido resultado daquilo que os populares caracterizaram de “mal-entendido” por parte de agentes da Polícia que se encontravam a fazer patrulhamento na área. No dia 7 do mesmo mês, ainda em Luanda, no município do Kilamba Kiaxi registou-se a morte de uma adolescente de 13 anos por disparo de arma de fogo feito por um agente da PN, quase nas mesmas circunstâncias que as de Viana. Dois agentes da Polícia, em serviço na zona do Viaduto da Camama, ao tentarem persuadir as zungueiras a não exercerem a actividade de venda naquela zona, estiveram envolvidos numa confusão que terminou com uma morte. Os agentes entenderam que deviam fazer disparos, vitimando mortalmente a adolescente que por alí passava, com um tiro na cabeça.

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