Carta do leitor: As desculpas da Polícia Nacional…

POR: Nelito Chipongue, Lubango

À direcção do jornal O PAÍS, bom trabalho e bom dia de Sexta-feira para todos os escribas desta casa de informação. Gostaria de conhecer o vosso espaço de trabalho, aqui, a partir do Lubango, província da Huíla, dizem que a redacção é maioritariamente composta por jovens. Por isso, quando for a Luanda, vou arranjar formas de conhecer muitos jornalistas do O PAÍS. Na Quarta-feira, acompanhei atentamente, no Telejornal, o pedido de desculpas da Polícia Nacional sobre os acontecimentos que resultaram na morte da zungueira Juliana Cafrique, 29 anos, mais uma vítima, no Rocha Pinto, em Luanda, por disparo de arma de fogo. Gostei da atitude da Polícia Nacional, mas a vida já se foi, é um facto, por isso, a corporação, em nome das mais altas patentes deve assumir, à luz das leis vigentes no país, o resto dos encargos.Não basta enviar somente sacos de arroz e outros produtos perecíveis e não perecíveis para o óbito da Mamã que lutava diariamente para sustentar os seus filhos. Da mesma forma que o comandante-geral Paulo de Almeida se retratou em nome do Estado e da corporação, deve, num curto espaço de tempo, criar condições para o crescimento das crianças, bem como do viúvo. O comandante-geral e outros altos detentores de cargos públicos em Angola, com todo o respeito, devem imaginar que zungar não é uma actividade fácil, aliás ela honra, porque não se rouba de ninguém. Por esta razão, não fuja a responsabilidade posterior, porque é como diz o músico Gabriel O Pensador “mais uma vida jogada fora, um coração que já não bate, são aqueles que vão embora”, para dizer que justiça não é aquela que só aplica no tribunal, há também a social. E é esta que a Polícia Nacional deve fazer para ajudar a família da molograda e espero que convoque os órgãos de comunicação social para a cobertura do acto no momento em que as condições tiverem de ser providas. Por fim, sou de opinião que o modelo das formaturas nas unidades de Polícia devem estar assentes numa base psicológica com ajuda de outras áreas do saber, porque a guerra já acabou. Formem mais os chefes por favor, que o agente não é inimigo, também cidadão.