Carta do leitor: O funeral da nossa irmã Kafrike

POR: Lucas Sapalo
Gamek à Direita

Está marcado para Sábado, o funeral de Juliana Kafrike, a zungueira que perdeu a vida como resultado de um disparo com arma de fogo feito por um polícia, quando esta tentava reaver a sua bacia (com os produtos de venda diária). A propósito, saudações, irmãos dos Jornal OPAÍS, e boa jornada laboral! Escrevo esta carta porque estou deveras preocupado como funeral da nossa irmã Kafrike, a zungueira cuja sua morte irá levar a que a Polícia reflicta seriamente sobre as suas formas de actuação e a sociedade reflicta sobre questões relacionadas aos direitos humanos, pobreza e fome, bem como o desemprego. Estou preocupado porque já apareceram “os dirigentes” a dizer que se vão responsabilizar com os gastos do óbito e/ou do funeral, já que a família da vítima é de renda baixa. Até ali, tudo bem. Aliás, não é favor nenhum que estão a fazer, porquanto Juliana Kafrike foi vítima das más políticas deste país; da distribuição desigual da riqueza deste país; do uso abusivo da força policial e da má gestão administrativa. O mínimo que têm de fazer é garantir um enterro condigno para a pacata cidadã. É bom que a comissão encarregue de sustentar o óbito tenha em atenção que Juliana vivia num bairro de difícil acesso, pelo que terão dificuldade em transportar o caixão para o último adeus; e que vivia num bairro suburbano e que quando há óbito, e principalmente funeral, regista-se uma massa populacional fora do normal, pelo que obrigará um investimento alto na logística (alimentação e bebida). O último aspecto que citei deve ser visto com muita cautela, para não se registar no “tambí” confusão, ao ponto de a Polícia ser novamente obrigada a intervir no sentido de manter a ordem e a tranquilidade pública e (Diabo seja surdo) fazer disparos mortais, como está acostumada a reagir. Com esta crise, muita gente está a passar fome (embora o Presidente

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