Não reprogramável

Sobre a violência doméstica em Portugal, noticiada pelo Jornal de Notícias dando conta de um dia mau na Quinta-feira, com registo de pelo menos nove casos chegados às autoridades, um leitor brasileiro comentou de manhã o seguinte: “Em Portugal morre-se dentro de casa, no Brasil morre-se na rua”. Eu acrescentaria que em Angola se morre na Zunga, e um neozelandês diria que no seu país se morre na mesquita, tal como um sírio diria que na Síria se morre em qualquer lugar à bomba, até num hospital. Um palestiniano diria que na Palestina se more num protesto. O mundo está doido. Nos estados Unidos da América alguém diria que se morre por se ser negro. Definitivamente, a humanidade ainda não aprendeu o valor da vida. A humanidade ainda não aprendeu que a morte do outro não torna ninguém mais feliz, não é como nos jogos de vídeo, não soma mais anos de vida a ninguém, não acumula. A Humanidade vai ao espaço, cria leis para proteger plantas, animais, rochas, mas não consegue criar em si mesma (pelo menos em algumas, já muitas pessoas) a caridade, a compaixão, o amor ao ser semelhante, que é aquilo que a distingue (deveria) de outros animais. Esta semana fica na história como a semana da besta, a semana do sangue. E não dá para reprogramar o bicho homem!

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