Ensino Especial arranca com saldo positivo

O director nacional para o Ensino Especial, Lucas Luciano afirmou a OPAÍS que para o ano lectivo em curso o sector registou um acréscimo relativamente ao ano anterior de alunos matriculados, bem como do número de infra-estruturas vocacionadas (escolas)

Numa entrevista exclusiva a este jornal, o responsável destacou as províncias de Luanda e da LundaSul como as que apresentaram resultados mais significativos. Na capital do país foram matriculados cinco mil e 601 alunos nos diferentes níveis de ensino, o que perfaz um aumento de seiscentos e 39 comparativamente a 2018.

Já a província da Lunda-Sul conta com um total de cinco mil e 991 alunos inscritos, o que representa mais quinhentos e 55 em relação ao ano passado. Esta última, apesar de ter apenas uma infra-estrutura vocacionada para o Ensino especial, conta com mais 44 escolas do ensino geral que receberam alunos com necessidades educativas específicas, garantindo assim um sistema de ensino mais inclusivo.

No que tange a abertura de escolas especializadas para este sistema de ensino, o país ganhou uma infraestrutura, em Caxito, em Luanda, e há previsão de se criar uma nova escola em Malanje. Importa realçar que com o contributo da Fundação Lwini, a escola do ensino especial do CuanzaNorte ganhou recentemente um internato com capacidade de albergar inicialmente 40 estudantes com necessidades educativas especiais, provenientes do interior da província, a maioria dos quais na condição de órfãos e em situação vulnerável.

De acordo com Lucas Luciano, para a garantia do aproveitamento escolar dos alunos, o Ministério da Educação (MED), em parceria com o Banco Mundial, adquiriu materiais didáticos, como, por exemplo, máquinas brailles (cujas quantidades não avançou), para alunos portadores de deficiência visual.

“Ficamos dois anos sem adquirir estes equipamentos devido aos seus elevados custos. Entretanto, elas já estão em Angola na zona de influência pedagógica e em breve serão distribuída pelas escolas do país”, detalhou.

Por outro lado, destacou a figura do intérprete de língua gestual como um instrumento fundamental para o aprendizado dos estudantes portadores de deficiência auditiva. Sobre o assunto, esclareceu que o MED tem vindo a desenvolver um conjunto de medidas para que o número destes profissionais cresça.

sInicialmente não existia de uniformização da língua gestual angolana e cada instituição de ensino especial era usada um código diferente. Por esta razão, houve a necessidade de se criar um padrão único para Angola.

Foi por intermédio desta acção que foi possível se criar o dicionário de língua gestual angolana, cujo conteúdo foi preparado com o contributo dos próprios estudantes, dos quais muitos hoje em dia se tornaram professores.

“A falta de intérpretes é gritante nas instituições públicas e privadas. Por exemplo, quando um portador de deficiência auditiva está em conflito com a lei ao chegar ao Serviço de investigação criminal da Polícia Nacional haverá dificuldades para se estabelecer a comunicação”, detalhou, acrescentando que o mesmo acontece nos hospitais.

Apesar disso, já foram registados avanços no que concerne este aspecto, pois algumas destas questões constam da lei das Acessibilidades, nomeadamente “n.º 10/16, de 27 de Julho”, que estabelece as normas gerais condições e critérios para as pessoas com deficiência ou mobilidade condicionada.

Pelo momento, está sobre a alçada do Ministério da Cultura tomar determinados procedimentos para que se inclua a língua gestual anNuma golana, no quadro das línguas nacionais à semelhança do Umbundo e do Kimbumbu, Tchowé.

De acordo com Lucas Luciano, enquanto os mesmos não forem adoptados a figura do intérprete de língua gestual “fica comprometida” e por consequência existirão dificuldades de serem incluídos no sistema de ensino.

A acção formativa deve ser continua Segundo o director nacional para o Ensino Especial, Lucas Luciano, a acção formativa para docentes que trabalham no referido sistema deve ser contínua, de acordo com os programas traçados pelo Instituto Nacional de Formação de Quadros para a Educação.

A título de exemplo, salientou que por ocasião da abertura do ano lectivo, isto a 1 de Fevereiro do ano em curso, os professores do Ensino Geral, em todo o país, beneficiaram de um seminário de capacitação com o objectivo de lidar com os alunos com necessidades educativas especiais.

Pretendia-se com esta iniciativa, dotar os profissionais de conteúdos técnicos ligados a esta modalidade de ensino, de modo a se alcançar a expansão do ensino inclusivo, ou seja, fazer com que os estudantes com necessidades especiais frequentem escolas comuns e interajam com alunos não portadores de deficiências.

A formação decorreu de forma faseada, a nível das províncias e dela tiveram também oportunidade de participar os professores admitidos no concurso público do Ministério da Educação (MED) em 2018”.

“ Trata-se de um processo. Sabemos que não será em duas semanas que os professores vão absorver todas as técnicas pedagógicas para conseguirem transmitir conhecimentos aos alunos”, sublinhou. Durante os encontros, com duração de cinco dias, os docentes foram capacitados em matérias ligadas à planificação de aulas, dossificações, relacionamento entre professores e alunos, bem como programas de disciplinas, currículo educativo, conteúdos científicos a ministrar durante a aula e o papel do educador na formação da personalidade do aluno.

A medida visou estimular o processo de inclusão social entre os estudantes com deficiência. As 20 escolas disponíveis, a nível nacional, vão do Ensino Primário ao IIº Ciclo de Secundário, distribuídas em 16 das 18 províncias.