Reformas em Angola tornam investimento das pequenas petrolíferas mais atractivo

O director-geral da Africa Oil & Power, um dos maiores organizadores de conferências sobre energia em África, disse hoje à Lusa que as reformas em Angola vão tornar mais atrativo o investimento das pequenas e médias companhias.“Há uma imagem muito antiquada de Angola como um mercado apenas para as grandes empresas petrolíferas, mas a maneira como o mercado está a ser estruturado pelo Governo vai mudar essa perspetiva, principalmente com a atenção que está a ser dada aos poços marginais de petróleo e gás, que vai tornar o investimento e a exploração muito mais atrativos para as pequenas e médias petrolíferas”, disse Guillaume Doane.
Em declarações à Lusa antecipando a primeira conferência que esta empresa promove em Angola, no princípio de junho, o diretor-geral da Africa Oil & Power vincou que “o Governo está muito empenhado nas reformas, que mandam um sinal muito forte para os investidores internacionais”, e salientou, sobre a diversificação da economia e a abertura do mercado, que “há reformas-chave que mostram que desta vez é diferente”.
“O estabelecimento da agência de petróleo e gás, responsável pela concessão, é um passo crítico, e ao mesmo tempo é o reconhecimento pelo Governo de que a estrutura anterior não estava otimizada, e isso manda uma mensagem muito clara à indústria de que o Governo quer dar mais licenças do que no passado”, exemplificou Guillaume Doane.
Angola, acrescentou, “reconhece um facto muito simples, que é o facto de nunca ir conseguir reverter o declínio da produção se não atrair novas empresas para entrar, e isso mostra-se na ronda de licenciamentos, todos os anos, durante 5 anos, num total de 54 licenças para as companhias internacionais”.
Questionado sobre se a prioridade do Governo é relançar a produção petrolífera ou apostar na diversificação da economia, o gestor respondeu que para as economias “extremamente dependentes das receitas petrolíferas”, como Angola, a prioridade tem de ser dividida e as mudanças não acontecem da noite para o dia.
“Angola tem uma escolha difícil pela frente, porque não consegue diversificar se não estiver a investir em petróleo e gás, mas pode diversificar dependendo menos das receitas, garantindo que os recursos são refinados localmente, que o gás não é simplesmente exportado através de um gasoduto ou numa plataforma de Gás Natural Liquefeito, mas sim usado localmente para a indústria petroquímica e geração de energia”, disse.
Para Guillaume Doane, “Angola tem uma oportunidade de conseguir as duas coisas ao mesmo tempo, que passa pelo aumento das receitas do petróleo e gás, mas também estimular a diversificação e transferir essas receitas para os setores relacionados, como a indústria, a geração de energia e a manufatura, sendo que uma mensagem chave é garantir que o capital fica no país para benefício da população”.
Para Doane, o objetivo principal da conferência é “ser um catalisador para o investimento em petróleo e gás em Angola, um país que mudou muito e que será apresentado aos investidores como uma nova e revitalizada Angola”.
A conferência ‘Angola Oil & Gas’ decorre de 4 a 6 de junho no Centro de Convenções Talatona, em Luanda, e será realizada já depois de a Africa Oil & Power organizar também a conferência da Associação da Organização de Países Africanos Produtores de Petróleo, em abril, na capital da Guiné Equatorial, Malabo.

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