RESEARCH Atlantico: O mercado petrolífero e a sua evolução

O mês de fevereiro caracterizou-se pela continuidade do incremento da cotação do crude. Segundo os dados da Bloomberg, o Brent – que serve de referência às exportações angolanas – encerrou o segundo mês do ano corrente com uma cotação de 66,03 USD/barril, que representa um aumento de aproximadamente 7%, tal como o segundo incremento consecutivo. À semelhança, o WTI (West Texas Intermediate) atingiu a cotação de 57,22 USD/barril, um crescimento mensal de 6%. Importa ressaltar que, o actual preço da commodity corresponde ao nível mais elevado desde Outubro de 2018

A variação do preço do petróleo durante o período em análise foi suportada pelo aumento da confiança dos investidores relativamente ao alcance do equilíbrio do mercado petrolífero até ao final do ano corrente, a melhoria do desempenho dos mercados accionistas, tal como o aumento do optimismo em relação às negociações sobre um acordo comercial entre os EUA e a China. O último relatório divulgado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) demonstram que a procura mundial de petróleo poderá atingir cerca de 100 milhões barris/dia, em 2019, um incremento de 1,24 milhões barris/dia quando comparado com o ano anterior.

Entretanto, a barreira psicológica deverá ser alcançada apenas no terceiro e quarto trimestres. Estima-se que parte do crescimento esperado da procura em 2019 resulte do maior consumo dos países não pertencentes a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – cuja contribuição na procura total poderá fixar-se em 52% no ano corrente- com um aumento de 1 milhão barris/ dia, sendo que a China deverá registar uma ligeira desaceleração homóloga do nível de crescimento da procura petrolífera, de 390 mil barris/dia em 2018 para 340 mil barris/dia em 2019. Relativamente à oferta petrolífera, a produção de petróleo da OPEP continuou a seguir tendência decrescente, ao registar uma redução de 221 mil barris/ dia em Fevereiro para uma média de 30,55 milhões barris/dia, de acordo com os dados das fontes secundárias.

O desempenho da oferta reflecte as reduções significativas apuradas nas produções da Venezuela (142 mil barris/dia), Arábia Saudita (86 mil barris/dia) e Iraque (70 mil barris/dia). Apesar dos esforços do cartel, a OPEP reconhece a existência de desafios para a manutenção do equilíbrio e a estabilidade do mercado, considerando-se o objectivo de 25,9 milhões barris/dia para a OPEP, acordado em Dezembro de 2018. O Secretário – Geral da OPEP, Mohammad Sanusi Barkindo, exortou os produtores a evitar os excedentes de petróleo durante o ano corrente, face ao incremento da oferta proveniente dos seus concorrentes, que tem aumentado acima da evolução da procura mundial. As declarações do secretário-geral poderão reflectir a divulgação do relatório da Energy Information Administration (EIA). Segundo a EIA, a produção de petróleo dos EUA atingiu uma média de 11,9 milhões barris/ dia, em Fevereiro, ligeiramente abaixo dos 12 milhões barris/ dia apurados em Janeiro. Adicionalmente, a EIA prevê que a produção de petróleo bruto dos EUA situe-se em 12,3 milhões barris/ dia em 2019 e expanda para 13 milhões barris/dia em 2020. Consequentemente, a importação líquida de petróleo e produtos petrolíferos dos EUA reduziram de uma média de 3,8 milhões barris/dia em 2017 para 2,3 milhões barris/dia em 2018. As previsões demonstram que os EUA passarão a ser exportadores líquidos de petróleo e derivados a partir do quarto trimestre de 2020.

As incertezas e volatilidades do mercado petrolífero encontram-se longe de um ter um fim. Assim sendo, a análise das melhores estratégias para a continuidade do incremento da cotação do crude deverá ser o primordial. É com este intuito, que a OPEP deverá reunir-se nos próximos dias 17 e 18 de Abril, em Viena para decidir se a política de cortes de produção prevalecerá até ao segundo semestre, destacando que o acordo que vigora desde Janeiro tem uma duração inicial de seis meses.