Benguela precisa de mil e setecentas casas para alojar cidadãos em zonas de risco

A revelação é do governador provincial, Rui Falcão, para quem a falta de dinheiro está a condicionar um programa delineado há 4 anos quando se registou a tragédia que vitimou mais de 70 pessoas. O jornalista Jaime Azulay fala em erros de “gestão urbana”

O problema do Lobito vem da época colonial, diz o jornalista Jaime Azulay, enquanto o governador provincial volta, uma vez mais, a colocar a questão da falta de dinheiro para justificar a não construção de casas para os sinistrados que em 2015 perderam entes queridos e haveres numa enxurrada que tinha deixado o Lobito e Catumbela em situação desoladora.

Agora, depois de a chuva voltar atacar, o chefe do Governo de Benguela mostra-se optimista de que, ainda esta semana, vá aparecer dinheiro para se proceder ao trabalho de desassoreamento de grande envergadura até ao mar, permitindo o curso normal das águas. Pois, segundo alertou o padre Paulino Coteque, pároco da missão de Santo António na Tatá, município da Catumbela, o grande problema das duas cidades é terem sido construídas casas e outros estabelecimentos comerciais em linhas de água.

De acordo com o governador, torna-se imperioso que se construa as 1700 residências que o Executivo disse que se faria em 2015 e promete continuar a persuadir o Executivo Central para que as casas sejam feitas o mais rápido possível, para que se possa “limpar as zonas de risco”. Em relação aos desalojados de 2015, “empurrados” para a localidade dos Cabrais, Rui Falcão reconhece haver ainda muita coisa por se fazer. Desde que chegou, disse, empenha- se a dar solução ao processo de alojamento na sequências das enxurradas de há 4 anos. “Houve coisas que nós conseguimos avançar, como o hospital dos Cabrais, está praticamente feito, mas nos demais não depende de nós”, declarou, lembrando, por outro lado, que o seu Governo não tem esses recursos, de maneira que, quando as bolsas do Governo Central se abrirem para Benguela, poder-se-á avançar “mais rápido”.

“Erros de gestão urbana”

O jornalista Jaime Azulay defende a realização de um estudo de impacto ambiental sobre o desenvolvimento urbano da cidade do Lobito e diz que a cidade precisa de uma engenharia séria com recursos financeiros disponibilizados pelo Executivo angolano. Segundo argumenta, os Planos de Desenvolvimento Municipal e Provincial, depois de devidamente auscultada à população local, através dos seus representantes, devem ser aprovados a nível central e executados no âmbito do programa de investimentos públicos.

O também membro do Conselho Provincial de Auscultação e Concertação Social(CPACS) que considera o Lobito a cidade mais sensível, fala em erros de gestão da política urbana local, pois “gastou-se dinheiro à toa”, desabafa, justificando que as cheias que actualmente se registam já no tempo colonial ocorriam e tinha-se solução para o problema. Face ao cenário, o jornalista sugere a requalificação dos bairros, de modo a que tenham o mínimo de urbanização e desincentivar a construção em zonas consideradas de riscos e “tem que acabar com as construções anárquicas”.