Jovem acusado de burlar dois milhões de Kwanzas para acesso a emprego no Porto de Luanda

Ezequiel José Teixeira, de 26 anos, está a ser acusado de ter burlado um total de dois milhões e 150 mil Kz a um grupo de cidadãos sob a pretensão de arranjar emprego no Porto de Luanda. O cidadão apresentava passe do Porto de Luanda e cobrava 50 mil Kz para cada vaga

Foi no bairro da Petrangol, onde reside, que Ezequiel terá projectado, entre os meses de Julho a Dezembro de 2017, o plano de burla que visou prejudicar um total de 20 indivíduos, vendendo o falso sonho de emprego no Porto de Luanda. Aproveitando-se do estado de desempregado que os lesados apresentavam, Ezequiel apresentou-se como pessoa com capacidade de conseguir emprego naquele órgão público. Com isto, o réu conseguiu fazer com que uns lhe entregassem o valor de 50 mil Kz e outros 100 e 150 mil Kz, perfazendo um total de 2 milhões e 150 mil Kwanzas. Os lesados, evidentemente, nunca foram solicitados e, até à presente data, continuam à espera do tão sonhado emprego. Ezequiel, segundo as acusações, apenas recebeu deles o dinheiro, gastou e nada mais fez para que tivessem o que lhes tinha sido prometido. Nem o dinheiro tiveram de volta.

Entretanto, Ezequiel nega todas as acusações que pesam sobre si e diz que tudo não passa de uma mentira criada pela declarante Francisca Manuel, irmã da sua namorada, que também aparece como burlada. Ele diz que apenas recebeu dinheiro de duas pessoas, um total de 50 mil Kz, e não os tais dois milhões e 150 mil Kwanzas. Assim, Ezequiel é acusado de ter cometido 13 crimes de burla por defraudação. Aquando da sua audição na 5ª Secção da Sala dos Crimes Comuns do Palácio Dona Ana Joaquina, o réu disse não ser e nunca ter sido trabalhador do Porto de Luanda, bem como, voltou a frisar, foi chantageado pela cunhada a fazer tal papel para arrecadar dinheiro de que esta precisava para comprar um terreno no Bengo. Francisca Manuel foi chamada a declarar e disse que tudo não passa de uma mentira de Ezequiel, pois ele recebeu um total de 100 mil das suas mãos, o equivalente a duas vagas, que seriam para ela e o esposo. Foram todos burlados e até ao momento encontram-se no desemprego.

Apresentou passe do Porto de Luanda

“Ele frequentou a minha casa durante muito tempo, prometeu emprego no Porto e cada vaga custava 50 mil Kz. Parecia ser um jovem sério, trabalhador e humilde. Apresentava um passe do Porto de Luanda, pelo que não passou na nossa cabeça, e também porque a sua casa estava identificada, que fosse um burlador”, conta. Francisca, para além do dinheiro que deu para as vagas, também deu por empréstimo 15 mil Kz ao Ezequiel, então namorado de sua irmã, porque este disse que tinha a irmã doente e precisava de dinheiro para levá-la ao hospital. Evaristo Sousa, outro cidadão que também entrou na conversa de Ezequiel de que tinha possibilidades de conseguir emprego no Porto de Luanda e disponibilizou 50 mil Kwanzas para a vaga, conheceu o réu por meio da irmã e esperava por um trabalho na área de transporte.

Os burlados acreditam que Ezequiel não terá feito isto sozinho e que estará a trabalhar com uma rede, pois tem passe do porto de Luanda. Em tribunal, Francisca declarou que Ezequiel tem um tio que realmente trabalha no referido Porto e que terá sido por meio deste que conseguiu o passe da empresa e outros documentos timbrados. “Tem muita gente que ele burlou, pois acreditamos que não tenha feito isso apenas com o grupo de vinte que acabou levando o caso no tribunal. É importante que se descubra a rede toda em volta destas burlas”, defende, Salvador António, outro lesado.

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