Adolescentes com comportamentos desviantes recebem formação grátis no Golfe

A delinquência juvenil é uma das maiores preocupações com que se debate o Distrito Urbano do Golfe (zonas I e II). Para ultrapassar esse problema, a direcção administrativa optou por oferecer cursos práticos de electricidade, mecânica, serralharia, entre outros, aos adolescentes com comportamentos desviantes

Uma equipa do jornal OPAÍS visitou o distrito urbano do Golfe para reportar os problemas que afligem os munícipes do Kilamba Kiaxi. O distrito em questão comporta 22 sectores, o seu território tem início na fronteira com o bairro Neves Bendinha e fim no distrito urbano da Maianga. Em conversa com o administrador em exercício, Domingos António da Silva, este apresentou como uma das preocupações com maior destaque a da água potável, uma vez que existem sectores em que os moradores nunca tiveram acesso ao precioso líquido. Sobre este assunto, disse que esforços estão a ser envidados no sentido de o seu pelouro solucionar o problema.

A segunda preocupação tem a ver com a delinquência juvenil, pois que os índices naquele distrito urbano têm-se elevado. A Polícia tem interagido com os presidentes das comissões de moradores, de modo a trabalharem em conjunto na diminuição e, se possível, estancamento deste mal. A direcção administrativa local tem realizado encontros com os moradores e os filhos identificados como pessoas com comportamento desviante, e buscado uma soluções. Os delinquentes são adolescentes com idades compreendidas entre os 14 e 17 anos, que sem medo praticam as suas acções até mesmo em plena luz do dia. Para minimizar isso, a administração decidiu, com o apoio do centro de formação do centro Pia Marta e do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTESS), ocupar a mente destes adolescentes e jovens.

As referidas instituições, segundo o administrador, convidam os adolescentes a inscreverem- se nos cursos práticos de electricidade, mecânica e serralharia, entre outros, com a finalidade de os ajudar na sua vida diária. Uns aderem, outros não, mas tanto a Polícia quanto a Administração local não desistem, porque têm ajudado a tirar muitos jovens da delinquência. Em função da dimensão da região, optaram por trabalhar em conjunto e sempre informados, para tal, adquiriram rádios de comunicação com frequência privada e assim reportarem todas as ocorrências de cada zona. Todos os dias, às 7 horas, o responsável de cada sector deve reportar os acontecimentos e, juntos, procuram resolver o problema apresentado de uma determinada área. A água, energia eléctrica, saneamento básico e a delinquência são os que constantemente aparecem na lista das preocupações a nível do distrito urbano. Sobre o sector da Educação, Domingos da Silva contou que as escolas públicas na sua área são poucas, pois contam apenas com 11, e sete comparticipadas.

Há registo de 10 mil alunos fora do sistema de ensino

Quanto às necessidades da zona em termos de escolas, sem precisar o número, o administrador em exercício explicou que há um programa para a construção de mais escolas na sua jurisdição, sobretudo do ensino primário e I Ciclo, de modo a colmatar o número de crianças que estão fora do sistema de ensino (10 mil). Domingos da Silva afirmou que no passado construíram- se mais salas de aulas e eram designadas por escolas, actualmente há a necessidade de construir instituições de ensino e equipá-las devidamente. No que toca a saúde, O Golfe conta com duas unidades sanitárias e um hospital materno infantil, mas ainda sentem a necessidade de mais centros. Entretanto, na sua zona há cidadãos que ergueram as suas residências em zonas de risco, por isso, quando a chuva cai, a preocupação aumenta. Registam desabamento de casas e em alguns casos mortes. O administrador em exercício aconselhou a população que reside nestas zonas a abandonar as suas habitações, considerando que muitos já foram advertidos pela equipa de bombeiros, mas persistem.

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