Dia da Vida

Ele quase passa despercebido, mas o dia de hoje é dedicado à luta contra a discriminação social, à síndrome de Down, à árvore e à fl oresta, à criatividade artística, à poesia. Enfi m, olhando para o que representa cada uma destas celebrações, pode- se dizer que é o dia da vida, o dia do amor.

A poesia, deixei-a para o fi m por reunir tudo o resto, a vida é poesia, diria o poeta. Talvez se deva, hoje, refl ectir mais seriamente sobre a qualidade da poesia que se produz em Angola, a que se canta, a que se pinta, a que povoa a gestão e a política e, depois, avaliar o seu impacto na vida do país. Um país sem fi lósofos e sem poesia é um país que não sonha, não realiza, não vai mais além.

Esta nossa era das trevas em termos de desenvolvimento intelectual, económico e social, coincide (talvez apenas isso) exactamente com um vazio aterrador de poesia no nosso país. Há um vazio de amor, há um vazio de vida luminosa.

Temos um vazio de ideias e até de sonhos. Não somos felizes por não podermos ser um todo. De tudo o que somos e do que nos acontece como povo, o mais terrível é exactamente a pausa na ousadia de olhar a vida, esventrá-la, falar dela, cantá-la e roubar-lhe pétalas de palvras, doces, ainda que de luta.

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