Panda e Ekuikui “enterram” Christian na Burla à Tailandesa

Christian Albano de Lemos, um dos arguidos do Caso Burla à tailandesa, recorreu aos comissários-gerais da Polícia Nacional na reforma Alfredo Eduardo Manuel Mingas “Panda” e José Alfredo Chingango “Ekuikui” para que tentassem influenciar na atribuição de vistos de longa duração aos cidadãos expatriados que alegavam ter mais de 50 mil milhões de dólares para investir no país

Os dois antigos comandantes- gerais da Polícia Nacional fizeram essa revelação ontem, em separado, ao prestarem declarações, como testemunhas, na Câmara de Crimes Comuns do Tribunal Supremo, em Luanda. Alfredo Mingas “Panda”, o primeiro a prestar esclarecimentos, disse ter sido solicitado pelo subinspector Christian de Lemos, via telefónica, a influenciar junto do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) no sentido de os vistos dos integrantes da delegação tailandesa serem prorrogados.

Em declarações à instância do juiz da causa, Domingos Mesquita, a testemunha disse ter informado o seu interlocutor que devia contactar o SME e que não era da sua competência, enquanto Comissário-Geral, tratar desse tipo de assunto. Este oficial superior da Polícia Nacional na reforma esclareceu que um mês depois de ter assumido o cargo recebera um pedido formal de audiência da delegação tailandesa, mas não os recebeu. No entanto, acabou sendo convencido pelo comissário- chefe Jojó Antunes, que não mantinha qualquer relação com os mesmos, tendo em conta que já tinham uma parceria com as Forças Armadas Angolana.

Presume-se que o comissário- chefe, também reformado, por sua vez, terá sido abordado por Christian de Lemos. Alfredo Mingas “Panda” disse ter cedido uma audiência em que participou um oficial da corporação e que se limitou a ouvir o que o alegado bilionário tailandês Raveeroj Rithchoteanan pretendia transmitir-lhe. Depois da audiência, na qual foram tiradas as fotografias que vazaram na Internet, enviou a acta da reunião ao ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares. O segundo a falar no tribunal foi José Alfredo “Ekuikui”. Disse que tomou conhecimento da vinda da delegação tailandesa da Centennial Energy (Thailand), Company, ocasionalmente, no hotel Epic Sana, por intermédio de Christian de Lemos.

Disse ter sido contactado por Christian de Lemos, via telefónica, por alegadamente estar preocupado, porque Raveeroj Rithchoteanan, a pessoa que conhecera dias antes como um bilionário que pretendia investir 50 mil milhões de dólares em Angola, estava na eminência de sair do país, já que ele e todos os integrantes da sua delegação tinham os vistos prestes a expirar. O que o levou a presumir que precisava de um apoio. Do seu ponto de vista, este gesto representava duas coisas: ou um pedido para que estabelecessem parceria de negocio com os tailandeses, ou para que o apoiasse na viabilização dos vistos.

A carta forjada de Bornito de Sousa

José Alfredo “Ekuikui” declarou que não só tomou conhecimento da carta alegadamente forjada do vice-presidente da República, Bornito de Sousa, como contacto com a mesma. Disse que lhe foi apresentada pelos tailandeses durante um encontro que com eles manteve no seu escritório. Foi nesta ocasião que Raveeroj Rithchoteanan lhe pediu para serem fotografados juntos. Imagens estas que também foram parar às redes sociais. José Alfredo “Ekuikui” disse ter notado que o referido documento apresentava fortes indícios de ter sido forjado, não só pelas suas características, como pelo conteúdo. Do seu ponto de vista, o vice-presidente da República não escreveria para uma empresa privada naqueles termos.

Para agravar ainda mais a situação, os tailandeses diziam ter sido convidados pela Presidência da República, mas estavam a tentar obter influências para serem recebidos por altos dirigentes do país. Face à essa situação, procurou manter os tailandeses por perto, reuniu toda a informação possível sobre eles e os seus projectos, com o auxílio de um consultor jurídico da sua empresa que trabalhou na Ásia, e comunicou o sucedido ao vice-presidente da República. Na manhã do dia seguinte, foi recebido em audiência e apresentou-lhe o dossier. O tribunal ouviu também a antiga directora-adjunta da extinta Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), Cláudia da Encarnação Pedro, que completou ontem, às 17 horas, 44 anos de idade. A próxima sessão está marcada para Segunda-feira, com a audição de outras testemunhas.

error: Content is protected !!