Angola e Rwanda priorizam turismo, agricultura e segurança na cooperação

A estabilidade política na região dos Grandes Lagos e da SADC mereceram a apreciação dos Chefes de Estados dos dois países

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, e o seu homólogo do Rwanda, Paul Kagame, elegeram a agricultura, o turismo e a segurança como prioridades na agenda da cooperação bilateral dos respectivos países. A informação foi prestada ontem aos jornalistas durante numa conferência de imprensa conjunta, decorrida na Cidade Alta, onde os dois estadistas afirmaram ter feito consultas mútuas em relação à situação nas duas regiões, nomeadamente Grandes Lagos, onde o Rwanda se situa, e na SADC, onde Angola se situa.

O Presidente João Lourenço considerou importante passo o facto de Angola ter aberto a sua representação diplomática o ano passado no Rwanda, que no seu entender “vai facilitar sobremaneira o desejo, a intenção existente entre os nossos países e o reforço dos laços de amizade e de cooperação”. No domínio aéreo, o Chefe de Estado angolano manifestou a necessidade de se trabalhar no sentido de as duas companhias aéreas estabelecerem a ligação entre as duas capitais, o que deve acontecer no princípio do segundo semestre deste ano. “Os bons exemplos são para ser abraçados, são para ser seguidos, só assim é que existe evolução. Vamos colher as boas experiências do Rwanda em todos os domínios ali onde existirem”, disse João Lourenço.

Paul Kagame assegura alcançar metas

Por seu turno, o Presidente Paul Kagame considerou a cooperação mútua estar apenas a começar, e assegurou tudo fazer para que se alcancem as metas preconizadas para que o processo de desenvolvimento, que depende destas relações excelentes, possa ser concretizado. Questionado sobre se a excessiva concentração de poderes no seu país não dificultaria as relações com a nova governação de Angola, Kagame disse tratar-se de um problema interno dos ruandeses. “Cada país conhece melhor os seus problemas. Eu não vou carregar os problemas de outros países, posso apenas fazer em forma de cooperação, mas começando com tratamento dos meus problemas internos.

É assim que temos estado a operar no Rwanda”, respondeu. Kagame acrescentou que os ruandeses são eles próprios que decidem o que pretendem fazer, realçando que se decidiram atribuir certo nível de poder ao seu presidente ou ao seu líder é uma questão interna do seu país. “Vamos trabalhar juntos, vamos cooperar até contribuir para a solução em termos gerais dos problemas que afectam o nosso continente africano. Por isso, pensamos começar com a nossa cooperação e avançar”, disse o presidente ruandês no termo de uma visita de dois dias efectuada a Angola.

Rwanda no Centro da África

Rwanda é um pequeno país do centro da África que em 2014, 20 anos após o genocídio que o assolou em 1994, recuperou a sua economia exibindo estatísticas surpreendentes no que respeita à redução da pobreza de 59% em 2001 para 44,9% em 2011, um crescimento económico de 8% ao ano, PIB per capita de USD 1,5 mil (contra USD 575 em 1995), 95% de taxa de matrícula no ensino primário e taxa de alfabetização de 71%. Segundo o relatório ‘Fazendo Negócio’ do Banco Mundial de 2013, o país aparece em 52º lugar entre 185 países mais fáceis para fazer negócios e em 8º no ranking dos melhores para se começar um negócio.

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