Saúde local “chumbada” pela sociedade no conselho de auscultação da Baía Farta

Ocorreu ontem, no município da Baía Farta, o primeiro Conselho de Auscultação da Comunidade daquela zona, reunião que contou com a presença do vice-presidente da República, Bornito de Sousa. No topo da lista das preocupações da sociedade civil, estão os fracos serviços hospitalares da municipalidade

O vice-presidente da República, Bornito de Sousa, foi o convidado de honra na primeira reunião dos representadores da sociedade com o seu administrador municipal, o Conselho de Auscultação da Comunidade, visando-se debater as principais problemáticas. Sendo um modelo de gestão criado recentemente, na província de Benguela, apenas alguns municípios têm estruturado o quadro orgânico que faz parte desse encontro colectivo trimestral, entre eles constam Benguela, Lobito e Ganda. Ouvidos elementos seleccionados para falar pelo todo, representando sectores-chave da vida activa em colectividade, como grupos empresariais, religiosos, autoridades tradicionais e sociedade civil, o acesso aos serviços de saúde é uma aflição reconhecida por todos.

População da Baía farta grita por um hospital municipal operacional

A grande questão levantada pelos populares é a falta de um hospital municipal funcional na Baía Farta. Isso porque, foi erguido o edifício, mas está totalmente deserto no que toca a equipamentos. Assim, o maior município da província, com 122.000 habitantes contabilizados em 2014, não tem hospital de referência, havendo postos médicos, incapazes de responder ao volume da demanda ou gravidade das condições de saúde dos munícipes. O administrador municipal, José Ferreira, declarou no discurso de abertura que “estão controlados actualmente dois hospitais, localizados na sede do município e na comuna do Dombe Grande”, mas o hospital da sede não está equipado. Ainda sobre a circunscrição de terra que administra, mencionou que há “quatro centros e dezasseis postos de saúde” funcionais. Contudo, quando as endemias atacam, é para o Hospital Geral de Benguela que todos correm. Malária, tuberculose, febre tifóide e má nutrição são frequentemente diagnosticadas e, porque o rácio dita 1 médico para cada 1.000 habitantes, trabalhando apenas 14 médicos, estão em falta 108, de acordo às regras da OMS. Em nome da sociedade civil, Francisco Gabriel suplicou pela operacionalidade do hospital municipal, porque percorrer a distância até Benguela em casos de doenças é difícil, principalmente para quem não tem transporte e carece de cuidados.

A sociedade está engajada, diz vice- presidente

Na tarde de ontem, após o término do Conselho de Auscultação da Comunidade, o vice-presidente Bornito de Sousa deu o seu objectivo por cumprido.“Quisemos sobretudo ouvir as preocupações desses vários grupos sociais”, disse. De acordo ao que viu e escutou, “há um interesse, um grande envolvimento da população para resolver os problemas locais”, que é um ponto de partida para que as autarquias sejam implementadas com sucesso. Bornito acredita que a sua vinda serviu então para “valorizar a importância que tem esse órgão, Conselho de Auscultação da Comunidade”, pois, “aí, os partidos políticos, todas essas forças podem- se exprimir, participar na resolução dos problemas locais”. Estando ausente da província, a vice-governadora para o sector político, económico e social, Deolinda Valiangula, representou o governador provincial de Benguela nessa reunião, onde foram ouvidas as inquietações, deixadas recomendações e esperadas soluções.

O (des)ordenamento do território: um problema evidente

No somatório das fraquezas do município, o administrador José Ferreira fez saber, no seu discurso de caracterização da cidade, que constam “os serviços básicos inerentes aos sectores da educação, saúde e ordenamento do território”. Não se trata de nenhuma novidade pois que, quem sai à rua na sede comunal, zona com maior densidade populacional, verifica casas construídas aleatoriamente, casas prestes a desabar, escombros e casas de construção precária. Para dar resposta a esse “calcanhar de Aquiles”, de um município que tem tudo a nível natural para ser dos mais belos, foi traçado o Plano Director Municipal, que tem na manga a sua requalificação.

Nesse projecto, trabalhar nas ligações terrestres é imperativo. Pois que se demora demasiado tempo para percorrer distâncias curtas, como é o caso do caminho para a Equimina, ou para a Cidade do Sal. No âmbito educacional, a municipalidade carece de 210 salas de aulas, na saúde, necessita do término das obras e subsequente apetrechamento do hospital municipal, para “melhoria das condições de vida das populações”, manifestou o administrador. Segundo o responsável, não constitui um constrangimento apenas para os locais, tendo repercussões negativas no município de Benguela, porque gera-se “sobrelotação do Hospital Geral de Benguela, em função dos pacientes evacuados a partir da Baía Farta”.

error: Content is protected !!