Música e o legado do Duo Ouro Negro celebrados em Abril, em Lisboa

Vários músicos juntar-se-ão a 20 de Abril, no Casino Estoril, arredores de Lisboa, para celebrar a música e o legado de Duo Ouro Negro, constituído em 1956 em Angola, e que foi “pioneiro do multiculturalismo”

O espectáculo, no dia 20 de Abril, no salão Preto e Prata do casino, idealizado pelo produtor Ricardo Santos, junta músicos como Paulo Flores, Bonga, José Cid, Shout!, Luciana Abreu, Nelo de Carvalho, Dany Silva, Don Kikas. Em declarações à Lusa, Ricardo Santos afirmou que o espectáculo, que terá posteriormente um carácter itinerante, é uma tentativa de “homenagear o Duo Ouro Negro, que foi um projecto magnífico, que teve uma duração de cerca de 30 anos, e que nunca foi reconhecido”.

Ricardo Santos afirmou que se vão “reavivar memórias” e fazer “uma homenagem que nunca se fez nem em Portugal, nem em Angola, a um dos mais internacionais grupos”. Nascidos em Benguela, no Sul de Angola, em 1956, o Duo Ouro Negro, formado por Raul Indipwo e Milo MacMahon, veio para Portugal em 1959, e, “ao longo de três décadas, desenvolveu uma carreira internacional na indústria da música”, como assinala a Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX, coordenada por Salwa Castelo-Branco.

O duo abordou vários estilos musicais, “resultado do cosmopolitismo dos seus elementos” e da sua capacidade em expressar diferentes culturas nacionais de Angola, apresentando nas suas atuações vários traços étnicos, segundo a Enciclopédia. Além de português e das diferentes línguas angolanas, o grupo gravou em francês, temas como “Sylvie” ou “Le Palmier”, entre outros, e abordou também repertórios latino- americanos, de expressão hispânica, o brasileiro e até norte- americano, onde nas suas diferentes digressões tiveram contacto com a luta pelos Direitos Civis da população negra. O duo protagonizou “uma das carreiras da música popular em Portugal de maior visibilidade internacional”, lê-se na Enciclopédia da Música Portuguesa.

O Duo Ouro Negro “foi efectivamente o grande embaixador da música angolana e africana no mundo”, disse por seu turno, Ricardo Santos à Lusa. Fruto das suas viagens por Angola, o grupo foi introduzindo diferentes expressões culturais nas suas músicas, assim como instrumentos autóctones, nomeadamente o ‘kissange’, a ‘dizanka’, o ‘exhatakata’, entre outros. “O seu papel foi decisivo para o desenvolvimento da linguagem musical diversifi cada”, atesta a enciclopédia coordenada por Salwa Castelo-Branco, referindo que “a fase de recriação de géneros em línguas angolanas, depois em português, no contexto da época, que favorecia a mestiçagem cultural”. “É importante que as pessoas não se esqueçam do Duo Ouro Negro”, que organizou “o primeiro festival de música africana em Portu

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